Beatriz Levischi não podia pegar um cachorro. Não agora, que ela era a única responsável por cuidar de dois irmãos mais novos, administrar uma casa enorme e alimentar dez gatos vira-latas. Justo ela, que, poucos anos atrás, jamais teria pensado em adotar um bicho. Justo ela que vivia se queixando do tamanho da casa que herdou e da precariedade com que podia mantê-la. Justo ela que agora era órfã de mãe. E foi justo ela quem acolheu Marley, o cão-demônio.
Era uma tarde de sexta-feira quando o destemido focinho se atirou na frente de um ônibus, cambaleando e desorientado. Por um triz não foi atropelado — o triz atende pelo nome de Beatriz Levischi, alma caridosa profissional e jornalista nas horas vagas, 47 kg facilmente arrastáveis por qualquer cachorro, como bem demonstrou o Marley em seu primeiro passeio.
Três meses depois de tirar uma fina do ônibus, todos estão em compasso de espera. Bia não tem condições de ficar com Marley. Dez bigodes clamam por uma tarde ao sol, sem medo de serem estraçalhados pelo cão. E Marley — castrado, vermifugado e com pleno controle de suas faculdades físicas e mentais — precisa de um dono carinhoso.
Quem se habilita? Por Carol Costa - 20/11/2008 comentários: 2






