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NATUREZA
Alimentos biodinâmicos,
a escolha de Marcos Palmeira
Quando chegou à fazenda Vale das Palmeiras,
uma propriedade com 150 hectares em Venda Nova, Teresópolis,
região serrana do Rio de Janeiro, o ator Marcos Palmeira encontrou
em suas recém-adquiridas terras, plantações convencionais, que
usavam todo o tipo de adubo químico. Sua primeira providência
foi cortar os agrotóxicos. De cara, seis dos vinte funcionários
pediram demissão, pois não acreditavam no cultivo de alimentos
grandes e bonitos sem o uso de insumos químicos.
Nos primeiros meses, grande parte da produção
realmente foi perdida. Mas, com a ajuda do consultor de agricultura
biodinâmica João Carlos Ávila, o dublê de ator e fazendeiro
começou a lenta transformação de seus cultivos para a agricultura
biodinâmica. O primeiro passo foi passar aos funcionários novas
atitudes, como não jogar lixo e guimbas de cigarro no chão,
não enterrar restos de objetos, irrigar as hortas com água de
nascente, tratar as pragas com remédios caseiros e preservar
a energia do solo reaproveitando galhos de árvores, estrume
de animais e minhocas.
Na visão da agricultura biodinâmica, uma
fazenda deve gerir a si mesma, usando para a nutrição da terra
justamente o que ela mesma produz. "O valor de um legume, uma
verdura ou folha depende de como o solo está e de como a plantação
foi cuidada. Se o produtor só tira da terra, a colheita não
pode ser saudável", acredita Marcos Palmeira. O consultor Ávila
completa: "O alimento proveniente de cultivo biodinâmico tem
melhor sabor, maior valor nutritivo e dura mais".
Os resultados práticos comprovam a teoria.
As hortaliças, legumes e flores comestíveis - cerca de 40 000
unidades por semana - vindos da fazenda Vale das Palmeiras conquistaram
espaços nas prateleiras dos principais supermercados cariocas
e em alguns restaurantes e bufês. "Estou muito feliz com os
resultados", garante Palmeira. "Sempre sonhei em ser fazendeiro,
pois quando criança passei longas temporadas na fazenda do meu
avô, no sul da Bahia."
Água pura e adubo natural
Mais do que cultivos sem agrotóxico, os
alimentos orgânicos são aqueles provenientes de plantações irrigadas
com água de fonte, tratados com adubos naturais e sem adição
de remédios. Até o combate às pragas é totalmente natural. Na
plantação de couve, por exemplo, as lagartas, que volta e meia
aparecem, são trituradas, e seu pó, pulverizado no solo.
Para preservar os nutrientes dos alimentos,
as plantações são cobertas por uma camada de graminha ou de
capim. Além de proteger a terra do impacto do sol e da chuva,
ajuda na retenção de água e de nutrientes, deixando que os microrganismos
proliferem, criando uma bioestrutura própria do solo.
Reportagem: Bárbara Ceotto
Fotos: Fernando Seixas
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