NATUREZA
O encanto das rosas orgânicas


No roseiral dos Hasimoto, a colheita dos botões começa às cinco e meia da manhã, quando as flores são envolvidas por uma fresca bruma. As redes plásticas (acima, à esquerda) as mantêm fechadas por mais tempo.
Ainda mais inebriantes, estas rosas são cultivadas sem produtos químicos, o que ressalta cores e nuances perfumadas. A plantação do sítio Xodozinho fica em Jarinu, interior de São Paulo, e nos reserva momentos de puríssima beleza.

O dia amanheceu há poucas horas no município de Jarinu, a 65 km de São Paulo. No vasto campo florido, há um fio de neblina e um doce perfume suspenso no ar. Uma jovem oriental, com chapéu e cesto de palha, carrega flores. Perto dali, um carrinho sustenta centenas de rosas. O mato cresce livremente entre os botões, e o sol desponta suave.

Estamos no sítio Xodozinho, um lugar de sonhos e muito trabalho, onde rosas são cultivadas sem o uso de adubos químicos e agrotóxicos.

Dirceu Hasimoto é o proprietário do local, administrado em conjunto por toda a família, que chegou a possuir 20 hectares de rosas na década de 80. Com a fala baixa, pausada, e o sorriso tímido característico dos japoneses, ele conta que é agrônomo e fez estágio de um ano no Japão, ainda sem intenções de tornar-se um produtor ecológico.

De volta ao Brasil, Dirceu fez muitos cursos e descobriu com um professor que não são as pragas que atacam as plantas: "É o cultivo que não está equilibrado. Se o solo está bom, nunca pega doença. Na natureza tudo que não está em equilíbrio é eliminado".

Há quatro anos, Dirceu conheceu um produtor de adubo orgânico e descobriu que, lá no Japão, o fertilizante natural era utilizado com êxito há treze anos e já estava sendo comercializado por aqui.

Cautelosos, os Hasimoto começaram usando o adubo orgânico em 50% das terras. Depois de um ano e meio, comprovaram os resultados e passaram a usar apenas o adubo sem química.

Saúde preservada

Já sabemos que os alimentos orgânicos são mais saudáveis. E quanto às rosas? As vantagens são várias. Além da cor mais viva, a rosa orgânica tem um perfume mais puro, marcante e original do que as comuns. É possível até mesmo distinguir o cheiro de cada rosa conforme sua cor. Sim, porque a rosa vermelho-escura clássica, do tipo Gran Gala, com haste longa e sem espinhos, tem perfume totalmente diferente da vermelho-viva, e assim sucessivamente.

Um passeio pelo roseiral em flor é como estar numa perfumaria escolhendo entre um vidro do clássico Chanel no 5 ou de um Anaïs Anaïs, de Cacharel, ambas fragrâncias francesas à base de rosas. Além disso, as flores orgânicas inebriam os sentidos por mais tempo: "Podem ficar perfeitas até uma semana na mesma água. As cultivadas pelo processo convencional se deterioram em um ou dois dias, por causa dos defensivos agrícolas", explica Hasimoto.

Além das delícias do prazer estético e sensorial, há o aspecto de saúde. Segundo Hasimoto, até quem comercializa rosas vindas de cultivos com agrotóxicos pode sofrer de alergias e coceiras: "Notamos que os funcionários pararam de ter alergias e vermelhidão na pele, e os casos de bronquite diminuíram muito".

Dirceu ressalta ainda um outro aspecto ecologicamente correto: "No sistema convencional, há um tempo limitado para o uso do solo, algo entre cinco e dez anos. No processo natural, a terra fica cada vez melhor. Nunca é preciso mudar a plantação de lugar", conclui o produtor.

Puro sabor

Tanta pureza torna as pétalas boas para comer. Os Hasimoto já receberam clientes interessados na fabricação de doces exóticos com rosas de várias cores.

"Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa...", já disse a poetisa americana Gertrude Stein. Porém, depois de um passeio no roseiral dos Hasimoto, fica a impressão de que o encanto das flores mais apreciadas pelos amantes apaixonados não pode ser posto em palavras. Apenas sentido.


Texto: Ivany Turíbio
Reportagem Fotográfica: Camila Gentile
Fotos: Luis Gomes



Abril 2001

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