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NATUREZA
Soja - o grão da saúde
Depois de anos de resistência, começamos
a nos convencer de que a soja merece, sim, estar em nossa
mesa. Seu sabor melhorou, as receitas e os produtos aperfeiçoaram-se
e estudos realizados em todo o mundo comprovam sua eficiência
na prevenção de vários males. |
A última colheita de soja do Brasil foi de
37,2 milhões de toneladas e para este ano a previsão é de 42 milhões
- somos o segundo maior produtor de soja do mundo (o primeiro
é os Estados Unidos). Os clientes de tanta fartura ainda estão
fora do país - consumimos apenas 0,2% do que plantamos. Mas a
situação começa a mudar. Do cardápio dos restaurantes macrobióticos
- a soja era considerada comida de natureba - ao interesse atual
pelo grão, passaram-se quase 30 anos. Na forma de leite, queijo,
farinha, a soja faz parte de dietas ricas em proteínas. Seus benefícios
para a saúde, afirmam os médicos, são incontáveis: protege coração
e artérias, diminui o colesterol, melhora a acne, tem ação anticancerígena
e atenua alguns dos sintomas da menopausa. E para ter esses benefícios
são suficientes 25g de proteína de soja por dia, quantidade recomendada
pelo FDA (Food and Drug Administration), departamento americano
responsável pela aprovação de alimentos e remédios.
Hormônio vegetal
A ação das isoflavonas, nutrientes concentrados
em grande quantidade na soja com ação semelhante à dos hormônios,
é o tema de estudos e pesquisas realizados no Brasil, na Europa
e nos Estados Unidos. Elas são consideradas fitoestrógenos,
ou estrogênios vegetais. "As isoflavonas imitam parcialmente
a ação do estrogênio, hormônio produzido naturalmente no corpo
da mulher. Mas sua ação é 100 vezes menos intensa", pondera
a farmacêutica Maria Inês Genovese, do Departamento de Alimentos
e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas
da Universidade de São Paulo (USP). Mesmo assim, pesquisadores
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constataram sua
eficiência. As isoflovanas diminuíram os sintomas associados
à menopausa (como as ondas de calor) em 85% das 80 mulheres
que participaram do estudo. Pesquisas da Universidade de Harvard,
nos Estados Unidos, conduzidas pelo nutricionista americano
James Anderson, mostram que mulheres que tomavam uma dose diária
de composto com dois tipos de isoflavona reduziram em 50% suas
células cancerosas. "E as que tomavam soja diariamente reduziram
em 50% o nível de reincidência do câncer", lembra Eliana Guimarães
Pin, psicoterapeuta e naturóloga do Centro de Medicina Natural,
de São Paulo. Mas as pesquisas que estabelecem a relação entre
a soja e a diminuição de tumores de mama ainda não são conclusivas.
O doutor Dong Koo Yim, cientista coreano
da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, um dos
maiores pesquisadores do assunto no Brasil, aconselha a ingestão
de 100 g diários de soja ou alimentos à base do grão para quem
já está na menopausa. "As isoflavonas previnem a osteoporose,
cuja incidência pode aumentar em mulheres na menopausa, e atuam
positivamente nos sistemas cerebral e cardiovascular", afirma
a doutora Andrea Dario Frias, especialista em nutrição terapêutica
da Escola Superior de Agronomia Luís de Queiroz (Esalq), da
USP. Como não existe uma regulamentação do Ministério da Saúde
quanto à dosagem diária de compostos ou cápsulas à base da soja,
a recomendação médica é imprescindível, pois as doses diárias
de isoflavonas variam de mulher para mulher.
Outros benefícios
Pessoas que consomem produtos à base da soja
apresentam uma redução substancial no chamado colesterol ruim,
o LDL, segundo pesquisa da Wake Forest University, na Carolina
do Norte, Estados Unidos. Os fitoestrógenos também agem sobre
as artérias e no coração. Em 1999, o FDA reconheceu que o consumo
diário de proteína de soja contribuía significativamente para
a prevenção de doenças do sistema cardiovascular. Ela é também
indicada para prevenir o mal de Alzheimer, doença que prejudica
as funções cerebrais.
Dieta equilibrada
Os benefícios da soja na saúde das mulheres foram
notados no Ocidente depois da divulgação de pesquisas que demonstraram
o baixo índice de doenças coronárias e de câncer de mama nas
japonesas. "As orientais realmente consomem muita soja, mas
também comem algas - que atuam sobre a juventude dos tecidos
- gengibre e peixe seco todos os dias. É esse conjunto que faz
a mulher ter menos problemas na menopausa. Não adianta se entupir
de isoflavonas e ter uma dieta totalmente desequilibrada", adverte
Sonia Hirsch, especialista em alimentação e colunista de Bons
Fluidos. Sonia sugere o consumo da soja fermentada (missô, ou
pasta de soja, e shoyu, molho de soja) à soja in natura, pois,
segundo ela, o processo de fermentação ajuda a tornar o produto
mais fácil de ser digerido. Ela também pede atenção aos efeitos
do consumo de queijo e leite de soja, pois podem causar alergias.
Soja Polêmica
"O cultivo de soja transgênica (com genes
modificados artificialmente) são proibidos no Brasil", resume
José Carlos Mandarino, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa
de Soja de Londrina, no Paraná. É verdade. A soja transgênica
chega ao país vinda da Argentina, onde seu cultivo é permitido,
ou é plantada ilegalmente no território nacional. "A soja transgênica
não está discriminada nos rótulos das embalagens. Podemos consumi-la
sem saber", revela a advogada paulista Andrea Salazar, coordenadora
de campanhas do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), de
São Paulo.
Os alimentos transgênicos são modificados
geneticamente para deixar a planta resistente aos fortes herbicidas
usados no plantio. "Enquanto não se conhecem seus efeitos, é
melhor consumir apenas a soja orgânica, depois de bem lavada",
recomenda Andrea. E prestar atenção nos produtos importados
- a soja transgênica também é liberada nos Estados Unidos.
Cuidados no preparo
Para a soja conservar um bom sabor, é preciso
saber prepará-la. Veja como fazer.
Nunca lave a soja diretamente em água
fria - assim você ativa seu gosto amargo. Deixe-a de molho em
água fervente por cinco minutos e lave-a bem em água fria. Depois
prepare como o feijão.
Misture outras frutas com o leite de soja.
Canela também vai bem.
Evite consumir café - ele tira alguns
dos bons efeitos da soja.
Torre os grãos, passe no liqüidificador
e coloque essa farinha em bolos, tortas, sucos, sopas e cereais.
Mais indicações e receitas no livro A
Soja na Cozinha, de José Marcos Mandarino e Mercedes Pannizzi,
editado pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa).
Texto: Liane Camargo de Almeida
Alves
Reportagem: Priscila Gorzoni
Reportagem Fotográfica: Ana Paula Wenzel
Fotos: Antônio Rodrigues
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