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AUTO-CONHECIMENTO
Ser feminina é...
...mais do que ter beleza, charme
e estilo. Feminilidade é aquele algo a mais, tão difícil
de definir, mas absolutamente impossível de resistir. |
Um sorriso ao cruzar as pernas, o movimento
gracioso do andar, uma echarpe jogada no ombro. Talvez seja essa
a maneira mais exteriorizada de mostrar a feminilidade. Mas, como
uma fonte de águas cristalinas, essa qualidade brota dentro da
alma para se manifestar das mais diferentes maneiras. Todas elas
muito sutis. A feminilidade começa com a aceitação - e talvez
até com um certo orgulho - do fato de ser mulher. É com prazer
que escolhemos os caminhos da sensibilidade, da delicadeza e do
cuidado para expressar nossa alma ao mundo. E há uma sabedoria
sutil nessa opção: reconhecemos assim algo genuíno, ligado a nossa
natureza mais íntima, que, em certo momento, abandonamos para
ganhar liberdade e autonomia. "Ao pular o muro do castelo, as
princesas submissas do passado encontraram uma sociedade masculina
implacável do lado de fora. Para conseguir espaço, as mulheres
tiveram de virar quase-homens", reconhece a psicóloga paulista
Lucia Bartolo, autora de Florais de Bach e a Virtude de Ser Mulher
(ed. Gente). Equívoco que pode ser reparado a qualquer instante
sem perder a liberdade já assegurada.
Espelho meu
Até a década de 70, a penteadeira imperava
nos quartos de dormir. Sob o espelho, ficavam perfumes, potes
de cremes, caixinhas de jóias, bibelôs, espelhos e escovas com
cabo de prata. Era um verdadeiro altar à Afrodite, a deusa grega
do amor e das coisas bonitas. Demonstrar o amor à beleza e ser
vaidosa era motivo de orgulho. Com os novos tempos, tudo mudou
e o kit de beleza foi para a bancada do banheiro. Caixinhas
de costura, agulhas de tricô, receitas de família e batedeiras
caíram em desgraça. Tudo que ligasse a mulher ao lar ou à própria
feminilidade tornou-se indesejável. "As atividades domésticas,
os trabalhos manuais e o exercício da sedução não merecem essa
condenação. Eles só se tornam negativos se forem restritivos,
sufocantes. E se a mulher não consegue se realizar em outras
áreas", resume a psicóloga Kátia Fernandes, de São Paulo.
Dedicar-se a arrumar uma mesa com capricho,
cozinhar para a família e os amigos, cuidar de sua própria aparência
com atenção e tempo satisfazem a qualquer mulher. O amor à beleza
e o cultivo do cuidado fazem parte da alma feminina. As francesas,
cuja feminilidade é famosa no mundo inteiro, são bons exemplos
disso. Elas adoram cuidar-se. Sua sensualidade é temperada com
uma sutileza bem feminina. Usam cabelos curtos para deixar o
pescoço à mostra, pois a nuca é muito sensual. Os decotes são
levemente pronunciados, e as fendas, discretas -- e preferem
usar a insinuação em vez da exposição. Ao mesmo tempo, trabalham,
dedicam-se aos filhos e ainda adoram ir para a cozinha testar
a receita de um grand chef francês.
No Brasil, uma mulher exemplifica como
a feminilidade pode ser vivida sempre até em condições muito
difíceis. A atriz carioca Patrícia Pillar é, talvez, a paciente
de quimioterapia mais feminina do país. O sorriso não saiu do
seu rosto, o cuidado ao vestir continua, a delicadeza dos gestos
permanece. Ela mostra que a força interna pode ser expressa
com suavidade: uma não anula a outra. Essa é a principal lição
da arte de ser mulher.
Texto: Liane Camargo de Almeida
Alves
Reportagem: Michaela von Schamaedel
Reportagem Fotográfica: Ana Paula Lopes
Fotos: Sérgio De Divitiis
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