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NATUREZA
Olhe para o céu
Este tipo de nuvem desperta a sensação
de que estamos enxergando o teto do mundo. É um céu característico
de regiões frias e parece convergir para um determinado
lugar no chão. Essa convergência, segundo o astrônomo Amâncio,
indica que são nuvens muito altas. Ao contemplá-las, a respiração
se expande e o azul intenso conforta. Previsão do tempo:
não há risco de chuva. |
Isso faz bem por muitos motivos: acalma a
mente, alivia a tensão, abre os horizontes e, além disso, não
custa nada. Depois de ler a reportagem, procure a janela mais
próxima e viaje nas nuvens, na lua, nas estrelas...
Nada mais antigo do que nosso fascínio pelo céu.
Desde os primórdios da humanidade, ele simboliza a passagem
do tempo e o medo do imprevisível - mitos das mais diversas
civilizações descrevem essas percepções. O físico brasileiro
Marcelo Gleiser, autor do livro O Fim da Terra e do Céu (ed.
Companhia das Letras), explica a origem desses dois sentimentos.
"Existem os movimentos ordenados dos planetas em torno do sol
e os ciclos fixos das estações do ano. E há movimentos desordenados,
eclipses, cometas, estrelas cadentes, que nos mostram o caráter
imprevisível do céu", explica. Diferente das civilizações antigas,
acostumadas a admirar e a compreender esses sinais, o homem
contemporâneo - com toda a sua tecnologia - olha cada vez menos
para o céu. "Nossas vidas são hoje muito mais independentes
dos ciclos da natureza. Conseguimos marcar o tempo, por exemplo,
sem observar o sol", continua Gleiser. A vida urbana também
contribui para aumentar ainda mais a dificuldade que temos de
olhar para cima. No meio de prédios, cidades superiluminadas,
trânsito, fica difícil parar e voltar os olhos para o que está
acontecendo acima de nós. Assim, vamos perdendo um grande espetáculo
e a noção de que fazemos parte do Universo.
Sensações que vêm do Alto
O astrônomo Amâncio Friaça, professor do departamento
de astronomia da Universidade de São Paulo, trabalha com temas
bem complexos, como o surgimento e a interação de galáxias e
a evolução química do Universo. Mas, ao contrário do que se
poderia pensar, para esse cientista, ciência e imaginação não
são assuntos antagônicos. Ele costuma dar palestras sobre como
podemos entender o cosmo usando nossas percepções. A finalidade
é reparar nas características, sensações e emoções que cada
imagem do céu provoca em nós. Foi o que o professor fez com
as fotos que ilustram esta reportagem. Registramos o que passou
pela cabeça e pelo coração de um observador experiente.
As formas que vemos lá em cima
Tudo que acontece no céu tem uma explicação.
As nuvens, por exemplo, que tanto mexem com nossa imaginação,
são formadas pela concentração do vapor das águas que evaporam
de oceanos, rios e lagos. "Como as nuvens tendem a se espalhar
pela superfície, de nosso ponto de vista elas parecem estar
em todos os lugares. Na verdade, as distâncias variam muito,
desde algumas centenas de metros até vários quilômetros. Vale
lembrar que a atmosfera tem em torno de 30 km de altitude",
explica o físico Marcelo Gleiser. As nuvens viram chuva por
causa da concentração de vapor d'água, coisa que acontece através
de um grão de poeira. "Esse grão atrai mais moléculas de água
e, num determinado momento, essas moléculas de vapor tornam-se
líqüidas, mais pesadas e caem rapidamente", completa Marcelo.
Existem cerca de dez tipos de nuvem, e cada uma delas indica
as condições do tempo, a ocorrência ou não de chuvas.
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Nas nuvens
Para quem quiser entender um pouco
mais as nuvens, o físico americano John Day tratou de
inventar um site bem criativo ( cloudman
), inteirinho dedicado a elas. Lá, ele explica os diversos
tipos de nuvem, mostra fotos e enumera algumas ótimas
razões para observar o céu. Veja algumas:
Olhar o céu depois de acordar e
antes de dormir ajuda você a se sentir conectado com o
Universo.
Admirar as nuvens é o maior show
que existe na Terra. Não custa absolutamente nada e está
disponível o tempo todo.
O céu nunca é o mesmo - o que nos
ajuda a entender as mudanças da vida.
Observar o céu é um antídoto contra
o tédio.
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Texto:Michaela von Schmaedel
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