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NATUREZA
Brotos: vitalidade concentrada
Um punhado de brotos contém centenas
de sementes germinadas e representa o equivalente a 100
hortaliças crescidas. Você pode aproveitar todas essas vitaminas
e sais minerais em uma única refeição. Só faz bem! |
Imagine se existisse um alimento que você
pudesse comer à vontade, riquíssimo em vitaminas, minerais e
enzimas nutritivas, que fosse muito saboroso e rejuvenescedor.
Acredite, isso não é fantasia. Os brotos de trigo, lentilha,
arroz integral, grão-de-bico, gergelim, linhaça, girassol, feno-grego,
nabo, repolho, brócolis e rabanete estão ganhando espaço na
mesa de muita gente por conta de todas essas qualidades e pelo
sabor suave. A semente, mesmo seca, mantida em lugar úmido,
volta a germinar e tem os valores nutritivos multiplicados.
Desde 1989, estudos do Human Nutrition Information Service,
órgão vinculado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos,
mostram que nos brotos de trigo a quantidade de vitamina C aumenta
600% e a de vitamina E triplica nos quatro primeiros dias do
crescimento. A soja, por exemplo, após 48 horas de germinação
tem sua quantidade de caroteno duplicada. O mesmo acontece com
a riboflavina em 54 horas. Essas duas substâncias ajudam a evitar
os efeitos desagradáveis da menopausa e a combater o câncer.
Além dessas vantagens para a saúde, você
pode ter o prazer de ver brotos germinando aí mesmo em sua cozinha:
"Acompanhar as sementes brotando é uma forma de conexão com
a natureza. Ao comer os brotos, ingerimos a energia vital da
planta, pois eles são o ponto mais alto de vitalidade do ciclo
dos vegetais", revela o nutricionista carioca Paulo Di Lino,
membro do College of Natural Nutrition, com sede na Inglaterra.
Quem incluiu os brotos na dieta garante que essas plantinhas
podem facilitar grandes transformações. E se dispor a cultivar
os brotos e acompanhar seu desenvolvimento é um jeito de estimular
os sentidos de tato, olfato e, depois, o do paladar. Vale lembrar
que, por exemplo, num punhado de brotos de rabanete, provenientes
de centenas de sementes em um pote de vidro, representa o equivalente
a 100 pés da hortaliça crescida, que você pode comer em uma
única refeição. Justamente por isso, consumir brotos vem sendo
considerado pelos nutricionistas uma prática ecológica: "É econômico,
o transporte é mínimo e não se joga quase nada fora durante
o processo", justifica Paulo.
Grãos + água = Vida
Uma semente armazenada nos sacos de supermercado
está afastada da natureza e todo seu potencial nutritivo e genético
está latente: "Assim que ela é colocada na água, renasce e tem
suas informações reativadas", acrescenta Ana Branco, pesquisadora
do Grupo de Pesquisa e Desenho com Alimentos Vivos, o BioChip,
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. A chef
de cozinha carioca Jussara Correa, 50 anos, é uma adoradora
dos brotos. Em casa ou no seu restaurante, que funciona na Coonatura
(Cooperativa de Produtos Naturais no bairro de Botafoto), eles
estão presentes nos pratos e enfeitando os espaços. "São energéticos,
de rápida digestão e contêm muita água, hidratando o organismo.
Conto com a vitalidade desse alimento para me manter jovem e
saudável. E ainda é emocionante ver cada semente brotar debaixo
dos meus olhos", sente ela.
E o rejuvenescimento não acontece por mágica.
A explicação é científica: "No processo de desenvolvimento dos
brotos, acontece um significativo aumento da concentração de
DNA, uma molécula portadora de informações vivas que o organismo
utiliza como matriz para reproduzir novas células e formar novos
tecidos, o que revitaliza a pele", diz o nutricionista Paulo
Di Lino. Brotos, de todos os tipos, devem ser consumidos muito
frescos e crus.
Reportagem: Bárbara Ceotto
Reportagem Fotográfica: Ana Paula Lopes
Fotos: Eduardo Simões
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