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NATUREZA
Viva a fartura!
Celebrar e agradecer a abundância é um dos
rituais mais antigos da humanidade. Primeiro os grãos e as sementes,
frutos da generosidade da terra, e depois outros alimentos foram
eleitos pelos povos para expressar a fé em tempos fartos e o
agradecimento pela comida no prato, pela continuidade da vida
e pela boa colheita. A pureza do arroz é reverenciada pelos
japoneses e chineses. Os grãos do milho representam a fortuna
para os americanos. A substância do pão é o sustento dos italianos.
As cores e os aromas das especiarias estão nos rituais indianos
de fertilidade. E nós, brasileiros, nos inspiramos em todas
essas culturas.
Especiarias: sabores e aromas sagrados
Os condimentos, capazes de enriquecer e dar cor,
sabor e perfume a alimentos básicos, como arroz, feijão, lentilha
e grão-de-bico, são considerados verdadeiras preciosidades pelos
indianos. E, nessa cultura tão espiritualizada, o ato de comer
não sacia apenas o paladar. Por meio da comida, consegue-se
estabelecer a harmonia entre corpo, mente e espírito. Essa integração
constitui a verdadeira prosperidade, conforme contam os livros
Arqueologias Culinárias da Índia, de Fernanda de Camargo Moro
(ed. Record), e Índia: Biblioteca dos Grandes Mitos e Lendas,
de Verônica Íons (ed. Verbo). Segundo os hindus, o alimento
é o presente sagrado de Brahma, o Deus Criador, e, por isso,
é a melhor oferenda nas festas religiosas. Tudo é preparado
com muito esmero e dedicação. A chamada garam masala, uma perfumada
mistura de especiarias e ervas -feita de cravo, canela, anis,
cardamomo, coentro, cominho, gengibre, cúrcuma e usada no preparo
de cereais e carnes -, é a alma da culinária indiana. Graças
aos navegadores europeus do século 15, que trouxeram para o
Ocidente as especiarias, podemos provar desses aromas e sabores
exóticos e ainda dar a eles um significado especial, relacionado
à fartura e à abundância.
Reportagem: Mônica Ribeiro
Reportagem Fotográfica: Ana Paula Wenzel
Fotos: Christian Parente
outubro 2002
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