Funcionária • Felicidade em horário comercial • Um monge fala de espiritualidade e carreira • Como lidar com as dificuldades do dia-a-dia • TESTE — Você é feliz na carreira? CONHECIMENTO DO QUE MESMO? Especializações, MBAs e experiências fora do país podem ser importantes para conseguir emprego, mas nem sempre se vinculam com a felicidade. Texto • Tatiana Bonumá
Reportagem Fotográfica • Joel Mendes
Fotos • Marcos Antônio
Assim como salário, status e poder também não aparecem nas listas com freqüência. A satisfação no trabalho está mais ligada à paz de espírito. Enfim, tem mais relação com a maneira como a gente sente e vive o cotidiano. Faça o seguinte exercício: olhe a seu redor. Como é sua mesa de trabalho: arrumada, bagunçada, colorida? As mudanças – de humor, de atitude – começam por você. Uma idéia é transformar seu espaço em algo mais acolhedor. Vale colocar uma planta, fotos, objetos que têm significado para você. Bobagem? Que nada! Existem empresas nos Estados Unidos que incentivam os funcionários a customizar sua área de trabalho. Daí ela fica com a cara do dono. E isso faz um bem danado para todo mundo.

Um bom ambiente de trabalho tem a ver com uma atitude mais positiva diante da rotina. Isso é, inclusive, tema de palestras nas empresas, que buscam inspiração nas palavras de atletas, gurus e líderes espirituais. O monge beneditino alemão Anselm Grün é um deles. Ele viaja o mundo todo e influencia executivos a viverem melhor nas empresas. Mas num aspecto ele é categórico: “A felicidade profissional não se desvincula do autoconhecimento, um grande desafio para o homem contemporâneo”. Mas por que esse “se conhecer” se tornou uma tarefa árdua? Em primeiro lugar, não é um conhecimento que se ensina num curso de especialização ou na escola. Também não é algo que passe de pai para filho.

O economista Antonio Brito, outro estudioso da felicidade no trabalho, desenvolve uma tese de mestrado sobre o tema. Ele dá a dimensão histórica para o assunto. “Estamos em uma era de individualismo, mas as pessoas não se perguntam o que querem de verdade, quais são os aspectos que lhes trazem satisfação e quais são seus projetos”, alerta. Aqui outra expressão valiosa é: projeto. “A idéia é entender onde você está, aonde quer chegar e quais são os caminhos para atingir o ponto almejado”, ilustra. Para responder a essas questões, é preciso se perceber e capturar essas informações dentro de si. Isso foi proposto, por exemplo, aos funcionários da Johnson & Johnson. No ano passado, a empresa incentivou seus 700 funcionários a contar o que fazem para cuidar de si e distribuiu também um CD com perguntas e reflexões para ajudá-los a traçar os parâmetros de vida e, conseqüentemente, a trajetória profissional que cada um deseja. “Você só consegue se sentir realizado, ajudar a si mesmo e a empresa, se estiver alinhado com seu propósito de vida. E isso significa também que seu trabalho tem que estar de acordo com seu projeto, deve fazer um sentido mais amplo para você”, acredita Juliana Nunes, que atua na área de recursos humanos da empresa.

Estabelecer o tal propósito pode levar algum tempo e não acontece espontaneamente. Você tem que promover momentos de intimidade para procurar as respostas. Conquistado esse passo, é lidar com as questões do dia-a-dia com bom humor e um tanto de sabedoria.



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