Viagens • Nos confins do oceano Pacífico • No deserto do Novo México Na chapada Diamantina É demais encontrar gente que te vê triste e não precisa saber o motivo, apenas conforta e quer te deixar feliz. E isso você só encontra em viagens. Sempre gostei de viajar sozinha. É claro que não dispenso uma boa companhia, mas às vezes a cabeça quer arejar. Já fui sozinha para lugares como o deserto do Atacama e a chapada Diamantina, na Bahia.

Para a chapada, fui em um momento especial. Terminei, no aeroporto, uma história de amor de cinco anos e peguei o avião, sem ele, para a cidade de Lençóis. O pequeno grupo de desconhecidos que me acompanhou: uma mãe com a filha, noivos recém-casados e um médico, também sozinho. Enfim, um grupo pequeno e carinhoso – apenas quando requisitado.

Chorei os dois primeiros dias, quebrei a máquina fotográfica e entendi que aquela era uma viagem para “ser vivida” no momento, sem levar as recordações das fotos. E, estranhamente, foi a viagem mais intensa e a de que tenho lembranças mais vivas. Já se vão quatro anos. A paisagem, cheia de cânions e rios com águas cor de Coca-Cola, é um tapa na cara. Na primeira cidade que visitei na região, Mucugê, fui tomar uma cerveja com a dupla mãe moderna e filha descolada. É demais encontrar gente que te vê triste e não precisa saber o motivo, apenas conforta e quer te deixar feliz. E isso você só encontra em viagens, com pessoas que são temporariamente seus melhores amigos. Viajar sozinho é descruzar os braços e aceitar conhecer gente nova.

A natureza costuma ser minha companhia nessas rotas. Gosto de observar as flores, caminhar e perceber que cheguei em um lugar amplo. Além disso, os roteiros de aventura são ótimos para relaxar. Quando estou precisando de férias, é a cabeça que está cansada e não o corpo.

Outra coisa que me faz optar por roteiros de natureza é a liberdade de ficar dias com o tênis sujo de lama, a calça cheia de picão e visitar um restaurante local e comer o que cada lugar tem de mais autêntico e nunca mais esquecer. Gostinho de viagem, guardado na memória.

VANESSA GUERREIRO é jornalista e até hoje procura a receita do godó de banana (uma espécie de pirão de banana-verde) que provou na chapada Diamantina.



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