Fusca vermelho Cenas de família O Fusca vermelho 1978 estacionado na porta da casa da empresária carioca Eileen Worcman já dá uma pista de que tudo aqui tem muita personalidade e uma (boa) história para contar. Com mimos, cachorro, bicicleta e natureza. Texto • Simone Raitzik
Fotos • Leonardo Costa/MCA Estúdio
A empresária Eileen Worcman – casada com o designer Marcelo Ribeiro e mãe da fotógrafa Júlia, 21 anos, e de Antonia, 10, além de avó assumida da levada Flor, um labrador de pose, e de Fanfarrão, o gato de olhos azuis – sonhava com uma casa grande, sem conflito de gerações e espécies, aberta para amigos e festas. Enfim, um ambiente mágico para ser curtido intensamente.

“Era um desejo antigo, e eu sabia o endereço perfeito para colocá-lo em prática”, lembra ela. O local já era paquerado havia muito tempo: um antigo condomínio na Zona Sul carioca, com jeitinho de vila e crianças nas ruas de paralelepípedo. “Há seis anos, consegui comprar aqui um sobrado com potencial, mas escuro e sem charme. Chamei a arquiteta Tania Chueke, que entendeu o sonho de criar um espaço acolhedor, iluminado e sem modismos. Uma base bacana para preenchermos com nossas histórias”, revela.

Fusca vermelho

Amigos estão sempre por perto e, por isso, Eileen e Marcelo gostam de deixar uma bandeja com bebidas à mão, posicionada no aparador próximo à sala de estar, no primeiro piso. O ambiente ficou ainda mais agradável quando a parede que ligava a sala à varanda foi substituída por painéis de vidro.


Quando decidiu a reforma do sobrado, dos anos 1960, Eileen pediu a Tania revestimentos simples e claros e mais luz natural em todos os ambientes. Assim, a arquiteta projetou uma clarabóia em cima da escada e incorporou a garagem ao térreo, arejando os espaços. “A parede entre a sala e a varandinha foi quebrada e ganhou painéis de vidro, que se abrem completamente. Colocamos abaixo todas as barreiras possíveis entre sala, cozinha e copa. A idéia era privilegiar a integração nas áreas sociais. Assim a energia flui melhor”, conta Eileen, dona de um charmoso Fusca vermelho, que fica estacionado em frente à casa. “Se não saio com ele, vou para o trabalho de bicicleta, uma bem antiguinha, que meu pai trouxe de fora quando eu era adolescente. Fico me perguntando por que valorizo tanto esses ícones sem nenhum apelo moderno. Acho que sou meio conservadora mesmo. Tenho a Lua em Câncer”, explica.

Fusca vermelho



“Como os móveis são clássicos, as estampas coloridas dos tecidos se destacam, iluminando os ambientes”


Se existe um lugar onde ela exercita sua veia romântica é em seu quarto. Ali, a cama reina porque, afinal, esse móvel se veste exatamente do que ela escolheu como profissão: o universo de tecidos, bordados e padronagens que povoam o ateliê e as lojas da Alfaias, da qual é uma das sócias. “Criei a marca há 20 anos com a artista plástica Cecilia Camargo. Juntas, desenvolvemos peças para a casa toda. Trazemos também muita coisa da Índia e da China. Sou apaixonada por texturas e pelo trabalho artesanal. E na loja consegui unir esse vício com o lado comercial, que entendo porque sou formada em direito. Enfim, acho que tenho o melhor dos dois mundos”, declara.

Fusca vermelho



“Não valorizo modismos, e sim qualquer coisa que atraia meu olhar sem preconceitos. Misturo objetos e móveis de épocas diferentes. No fim, dá tudo certo”


Decidida, ela não titubeou em transformar os quatro quartos do segundo piso em três. “Cada um de nós tem seu mundinho. Isso desfaz os conflitos da convivência, já que os espaços comuns são compartilhados com prazer”, diz ela, que conhece bem o estilo dos integrantes da família. “A Júlia é surfista e gosta da paz que encontra aqui. A Antonia reproduz o clima de festa, o que talvez seja uma herança minha e do Marcelo para ela. Enfim, tudo tem a nossa cara. Por isso, acho que é um lugar tão gostoso e cheio de vida”, revela.



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