Colares da designer Tatiana Guimarães com metais de refrigeranteEm ciclosA carioca Tatiana Guimarães, 32 anos, sempre gostou de dar nova forma aos materiais usados. Cresceu, estudou desenho industrial e, com alguma intuição, percebeu que seu caminho tinha a ver com a ecologia. Aos 22 anos, foi fazer um estágio em Barcelona, Espanha, e nunca mais quis voltar. No começo, se sustentava vendendo bolsas, que fazia com o papel de revistas. O tempo passou e ela montou a Ciclus, na qual desenvolve produtos com total foco na sustentabilidade.Foto • Ana Casatti BONS FLUIDOS | Por que você escolheu o ecodesign?
TATIANA GUIMARÃES | Sempre fui conectada com a natureza. Na universidade, uma professora me ensinou a prestar atenção no entorno e a desenhar captando a emoção. Quando comecei a trabalhar, fui desenvolvendo minha própria metodologia. Eu me preocupava se a tinta era tóxica, aproveitava ao máximo os materiais, reutilizava objetos e pensava em desenhos que pudessem se converter em algo útil para que não fossem parar no lixo. Enfim, essa sempre foi minha maneira de fazer design.
BF | O que é um bom ecodesign?
TG | É quando se desenha atuando conscientemente em todas as etapas: do desenho em si à produção final e seu transporte. Quando desenho, busco a simplicidade.
Sigo os critérios de sustentabilidade, sempre com os olhos voltados para a funcionalidade, a durabilidade e a ele gância do objeto. No design, se usa a palavra “eco” para comunicar que se desenha de maneira consciente e respeitosa com o meio ambiente. Espero que futuramente essa denominação nem exista e que todos sejamos eco em nossa vida. Isso seria o ideal.
BF | De qual material você mais gosta?
TG | Do couro reciclado misturado com látex. É elegante, flexível e durável.
BF | Como seu trabalho é recebido na Europa? E para o Brasil? Tem planos?
TG | Felizmente, muito bem. No Brasil, ainda não comecei a comercializá-lo por questão de preço, mas gostaria bastante. Quem sabe no próximo ano.