
“Não há receita milagrosa contra o câncer. Se eu a tivesse
encontrado, ganharia o Prêmio Nobel. Mas o que mostro
no livro pode ajudar a evitar o aparecimento e a progressão
da doença melhor do que qualquer medicamento”
Coragem para mudar
Em Anticâncer –Prevenir e Lutar Graças a Nossas Defesas Naturais, recémlançado no Brasil pela editora Objetiva,
o médico David Servan-Schreiber detalha como alimentos, exercícios e meditação podem aumentar as chances de cura. “O câncer não é uma questão de genes, mas, sobretudo, de estilo de vida”, defende.
Foto • E. Robert Espalieu.
Em outubro passado, o neuropsiquiatra francês David Servan-Schreiber fez uma caminhada simbólica até a igreja de Sacré-Coeur, em Paris. A cada ano, desde 1993, pratica no mesmo mês uma peregrinação a um lugar santo para relembrar o sofrimento por que passou e, hoje curado, agradecer por ter se tornado um homem mais feliz depois desse “segundo nascimento”.
Foi em outubro de 1992 que ele soube ter um tumor no cérebro. Na época, dirigia um laboratório de imagens cerebrais em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Em um fim de tarde, se juntou a seus colegas para mais uma sessão no centro de ressonância magnética, onde fazia testes com estudantes de medicina. Um deles não apareceu e o próprio médico o substituiu, deitando-se no interior do tubo com scanner. Ao término do exame, para sua surpresa, as imagens revelaram o tumor.
Sete anos depois, quando o tumor reapareceu, decidiu enfrentar a doença de outra forma. Servan-Schreiber considera necessários os tratamentos convencionais contra o câncer (cirurgia, quimioterapia e radioterapia), mas lamenta que o poder das defesas naturais de nosso corpo para combater e evitar a doença seja ainda subestimado e negligenciado por médicos, pelos pacientes e pela população em geral. Um artigo do New England Journal of Medicine estima que entre 95 e 100% das pessoas portam células de câncer da tireóide, porém apenas uma em cada quatro morre de câncer. Para as três sobreviventes, as defesas naturais cumpriram sua função, impedindo que essas células se transformassem em perigosos tumores. Em seu apartamento no subúrbio de Paris, recém-chegado de uma viagem de promoção do novo livro na
Alemanha, Servan-Schreiber conversou com BONS FLUIDOS.
BONS FLUIDOS | Quando houve a recaída, vocé escreveu que foi pior saber que “o monstro não estava morto”. Como viveu a experiência?
DAVID SERVAN-SCHREIBER | Na primeira vez, eu tinha 31 anos. Há uma frase que diz: “A vida é o que vem depois que acabamos de fazer planos”. É muito útil se lembrar disso nos momentos em que nada ocorre como o previsto. Foi um choque para mim. Mas é preciso fazer o necessário. Fiz o tratamento convencional, que me salvou a vida. Sete anos depois, tive uma recaída.
Aí percebi que o tratamento que seguia não era o suficiente. Deve ria buscar por mim mesmo como estimular a capacidade de meu corpo de resistir à doença.