Sob o céu de Trancoso
Entrar em sintonia com o ritmo, a fala e a vida de um lugar é um bom jeito de serenar. Este bangalô no sul da Bahia propicia tudo isso para um casal, que deixa a agitação de São Paulo longe, bem longe, pelo menos por alguns dias do ano. Que experiência, hein?!
Texto • Roberto Abolafio
A bela praia do Curuípe, ao lado, fica a cerca de 200 m do bangalô. A partir da sala, quatro degraus abaixo levam a uma varanda que dá para dois quartos de hóspedes. Os cestos de fibra, em primeiro plano, são de Votuporanga, cidadezinha próxima a Trancoso. No andar superior, há outro terraço, que serve o quarto do casal.
No paisagismo de José Roberto Nehring, primaveras ladeiam uma ponte do condomínio. Abaixo, detalhes da cozinha, com louças e utensílios aparentes, e cadeiras, busto e baú de Tiradentes (MG) num canto de estar. Ao lado, a colorida tela, junto da escada, é de Solange Viveiros, da Galeria Arte em Dobro, e a mesa de centro, da Patrimônio Antiguidades.“Muitos móveis de fibra foram reaproveitados”, lembra a proprietária, uma adepta do consumo consciente que não gosta de jogar nada fora. É o caso das poltronas e da espreguiçadeira da sala, além dos assentos da mesa de refeições, um de cada modelo. “Aqui não há espaço para modismos. A casa tem um jeito perene. Queremos que seja agradável por muito tempo”, resume Eliana, que ainda pinçou peças rústicas em Tiradentes (MG), Rio de Janeiro e São Paulo.
O garimpo foi feito em companhia da designer de interiores carioca Maria Ivone Nauenberg, que também interveio na arquitetura, redistribuindo os espaços. Junto da escada que liga o estar ao quarto do casal, a profissional tingiu a parede com terracota, azul e verde, cores que se harmonizam com a paisagem.
Estruturas e cores da terra, artesanato, móveis rústicos e fibra natural: eis a receita de casa na praia, que pede uma vida um tanto despojadaA combinação de mar e sol, convenhamos, costuma dar certa fome. É quando chega a hora de largar o dolce far niente e ir para a cozinha, que, integrada à sala, facilita o batepapo. “Às vezes, faço um risotinho. Outras vezes, um omelete...”, conta a dona da casa.
Mas as gostosuras dessa paragem mais simples têm sempre data para acabar. Depois do fim de ano na praia, lá pelo dia 5 de janeiro, Eliana e Guilherme estarão de volta à capital paulista para retomar a lida diária. Segundo eles, chega a dar saudade da paz de espírito do lugar. “Em alguns momentos, penso em largar tudo e morar no bangalô”, conta, sonhando, a empresária.
O baldaquim das camas de hóspedes, na outra página, exibe xales de voal feitos por uma artesã local. Em vez de porta, o pequeno closet tem uma cortina listrada. No banheiro, o único toque sofisticado são as pastilhas de vidro, da Vidrotil, na bancada. Já a rede, da Futon Company, fica na varanda superior, de onde se avista parte da paisagem abaixo.