céu de trancoso Brilhos do Natal As casas e a cidade vão ganhando nova luz nesta época. Aqui, para estes lados abaixo do Equador, a temperatura sobe, as noites se abrem e a gente sai às ruas como numa celebração. Árvores e jardins se enroscam em piscas, e beirais e janelas viram portais reluzentes. É dezembro! Texto • Beth Volpi
Reportagem Fotográfica • Camile Comandini
Fotos • Eduardo Delfim
Para onde se volta o olhar, há lembranças de confraternização. Renovam-se os votos de solidariedade e união entre os seres da Terra. Um anseio de amizade nos arrebata e experimentamos o melhor dos humanos. Aprendemos a cuidar do outro, de nós mesmos, dos filhos de todos os pais. Enfeitamos os lugares, criamos cenas com fitas e cores – são vermelhos amorosos, verdes naturais, brancos eternizados... Os tons estão em toda parte e nosso globo azulado, visto bem distante, adquire contornos próximos. Somos muitos e idênticos sob a luz da vida.


Transformar é a principal qualidade que deriva do fogo e, nessa data, ele faz a paz renascer

vela Uma lâmpada acende – e pode ser pequena, como aquelas de pisca enfileiradas – e muitas outras surgem junto. Evocação do fogo que transforma e se propaga entre os de boa vontade. Na vela, a chama encorpa, ergue-se e dança no ar. Ela purifica e regenera tudo à sua volta. O homem é fogo, diz são Martinho. Sua lei é dissolver seu invólucro e se unir ao manancial do qual está separado. Então, em nosso anseio de nos religar ao divino, trazemos o fogo para perto e realizamos o espírito natalino. No coração dos homens, o menino-deus torna a nascer a cada novo dezembro.


Experimentar o sabor da uva e agradecer aos céus: isso é reafirmar a fé na vida

estrela A casa vai exalar aromas de ceia e a memória cristalizará o encontro das taças, o borbulhar do vinho, o adocicado das frutas. Talvez também haja farfalhar de vestidos novos, passos infantis correndo no assoalho de madeira, risos, carinhos e abraços. E, quando uma estrela rasgar o escuro da noite, seremos chamados a elevar os olhos e agradecer o alimento para o corpo e para a alma, que, nesse exato aqui e agora, temos a chance de experimentar. A festa das religiões sempre anuncia a quem sabe interpretar: apenas uma terra cultivada com respeito pode retribuir com milagres.




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