Qual o propósito que justifica a sua vida?

Conversamos com filósofos, teólogos e pensadores para entender os caminhos que cada um pode experimentar para encontrar a chave da felicidade. Confira!

Texto: Leonardo Vinhas e Veridiana Mercatelli | Foto: Shutterstock | Adaptação web: Tayla Carolina

Filósofos, teólogos e pensadores tentam responder à questão | <i>Crédito: Shutterstock
Filósofos, teólogos e pensadores tentam responder à questão | Crédito: Shutterstock


Acordar todos os dias, executar as tarefas, até chegar a hora de dormir para que possamos, esperançosamente, despertar bem no dia seguinte. É o que todos nós fazemos diariamente. Mas agora queremos é pensar na razão pela qual fazemos tudo isso.

Claro, você pode ser bastante prático e dizer que vai ao trabalho porque precisa de dinheiro para pagar as contas. Ou que está em um relacionamento para não ficar sozinho, viaja porque quer experimentar coisas novas. Mas essas respostas são, essencialmente, platitudes.

A questão maior, que gera a dúvida que todos temos, acaba sendo: viver para quê? E por quê? As perguntas, obviamente, não têm respostas únicas e fáceis. Porém, antes de começar a tentar respondê--las, é importante esclarecer dois conceitos.

“‘Propósito’ de vida é uma coisa e ‘sentido’ é outra”, explicam Paulo Ghiraldelli Jr. e Francielle Chies, casal de filósofos responsáveis pelo Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA) e pelo site Ghiraldelli.pro.br.

Os filósofos respondem que “o ‘sentido’ é sempre o que, mesmo para os não religiosos, tem a ver com algo exterior: algo que está ou na história ou na natureza ou no cosmos etc. Descobrimos o ‘sentido’, não o inventamos. O propósito é o sentido inventado, posto por nós”. 

Autor de Propósito – A coragem de ser quem somos (Editora Sextante/GMT), o líder espiritual Sri Prem Baba vê uma ligação entre os dois conceitos. “Não pode haver sentido na vida sem que haja um propósito. É a inconsciência a respeito do propósito da vida que gera essa sensação de falta de sentido.”

Em seu livro Em busca de sentido (Editora Vozes), o psicoterapeuta Viktor Frankl (in memoriam) lista três maneiras de encontrar sentido na vida: criando uma obra ou realizando um feito; experimentando algo ou encontrando alguém; ou pela atitude que tomamos diante do sofrimento inevitável.

“A pergunta ‘por que eu?’ não é algo que um cientista ou um psiquiatra possa responder. Mas não compartilho a opinião de Jean-Paul Sartre de que devemos aceitar e suportar, com coragem e heroísmo, a absoluta falta de sentido em nossas vidas. Nossa incapacidade é de reconhecer o sentido maior em termos intelectuais ou meramente racionais”, disse Frankl em uma de suas últimas entrevistas.

Mas reconhecer esse sentido e inventar o próprio propósito não é uma tarefa alvissareira. Tanto que a pergunta atravessa os séculos.

Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Teologia da PUC-PR, campus de Curitiba, o professor Alex Villas Boas Mariano afirma que “a busca pelo autoconhecimento está presente na história.

O conhecer si mesmo sempre foi uma tarefa religiosa. Também as ciências sociais, a discussão filosófica, as artes realizam essa busca”. O professor explica, porém, que partir nessa jornada de exploração de si próprio é sempre uma decisão pessoal.

 

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03/08/2018 - 14:46

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