Vida de vizinhança

Ao promover o consumo consciente por meio de empréstimo de objetos, o aplicativo Tem Açúcar? traz de volta aquele velho e bom hábito de bater na porta do vizinho para pedir ajuda 

Texto: Izabel Duva Rapoport

Camila Carvalho | <i>Crédito: Soraya Albuquerque
Camila Carvalho | Crédito: Soraya Albuquerque


1: Qual o conceito do aplicativo?

O Tem Açúcar? facilita o empréstimo de objetos entre vizinhos para ajudar as pessoas a economizar dinheiro e consumir com mais consciência, além de criar comunidades mais colaborativas, resilientes e felizes. Em breve, será uma rede de colaboração entre vizinhos além do empréstimo, permitindo outras interações – como pegar carona, fazer exercícios físicos, por exemplo – para que todos possam se apropriar, de fato, da vizinhança, usando melhor os recursos que têm.

2: O que mais difi culta o vínculo entre vizinhos?

É a cultura de que o sucesso é ser independente. Muitos crescem com a ideia de que, para ser feliz, é preciso ter dinheiro e não depender dos outros para nada. Só que, na verdade, o ideal é a interdependência, é saber que temos apoio de alguém quando precisamos e que não estamos sozinhos no mundo. Ou seja, sou independente, mas escolho me relacionar com outras pessoas em momentos específicos – defendendo-as, inclusive.

3: Por que é necessário resgatar essa essência nos bairros?

Para as pessoas serem mais felizes e sentirem que não estão sozinhas no mundo. E também por causa do impacto global gerado por ações locais. Quando começamos a pensar em tudo que pode ser compartilhado, passamos a nos unir para resolver várias questões no bairro. Imagine todo mundo fazendo isso em sua vizinhança? Numa escala macro seria até mais tangível e mais forte do que uma ação pontual, por exemplo, como atuar na ONU.

CAMILA CARVALHO, 27 anos, empreendedora social, designer em sustentabilidade e palestrante, criou uma rede de colaboração entre vizinhos que, além de conectar quem tem o que emprestar a quem está precisando daquilo, permite outras interações. A ideia é aumentar esse vínculo e o aproveitamento da vizinhança. Já são mais de 106 mil usuários em 12.500 bairros pelo Brasil.



05/02/2018 - 09:00

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