Alinhados com o Criador

Embora tenha origem judaica, a cabala é uma sabedoria universal acessível a qualquer pessoa que queira se harmonizar com as leis espirituais e, assim, colher paz interior, saúde e prosperidade, ensina o professor Shmuel Lemle

Texto: Raphaela de Campos Mello

Shmuel Lemle | <i>Crédito: Divulgação
Shmuel Lemle | Crédito: Divulgação


“Tudo está interconectado, nada acontece por acaso. Coincidências não existem. O universo é regido por leis espirituais precisas, de causa e efeito, ação e reação. Tudo o que acontece em nossas vidas foi causado por episódios anteriores – nesta ou em vidas pregressas, ou seja, estamos colhendo hoje o que plantamos no passado. Em suma, nós mesmos somos os responsáveis por tudo o que acontece em nossas vidas.

Esse é o entendimento da cabala ou kabbalah (originária do aramaico, que significa receber), sabedoria universal milenar que nos ensina os princípios espirituais que regem a vida, baseada nos ensinamentos do Livro do Zohar, escrito há 2 mil anos pelo sábio Rabi Shimon Bar Yochai. O próprio Zohar é uma interpretação de um manuscrito cabalístico mais antigo, o Sefer Yetzirá, ou Livro da Formação, do patriarca bíblico Abraão – o primeiro cabalista. Em sua época, ele compreendeu que o mundo inteiro está interligado como uma rede e que os eventos de um lado do planeta afetam a vida das pessoas do outro lado.

A cabala afirma que podemos ter uma vida melhor e um controle do destino por meio do entendimento das leis espirituais que governam o mundo. Mas só angariar conhecimento não basta. É preciso viver em harmonia com essas leis. Um dos lemas do Zohar é: ‘Receber para compartilhar’. Isso quer dizer que só dando podemos criar afinidade com a Força da Luz do Criador, fonte de todo o bem e plenitude, para então receber suas dádivas infinitas.

Plantando sementes mais positivas e no terreno propício, certamente teremos uma vida com plenitude, fartura e abundância. Afinal, todos os seres humanos almejam felicidade, saúde, bons relacionamentos e paz de espírito. O potencial para essa grandeza está dentro de nós. Mas para ativá-lo temos que nos manter em sintonia com uma consciência positiva e de
partilha. Basicamente, toda ação motivada pelo ego – ou como chama o cabalista Rav Ashlag, ‘desejo de receber somente para si mesmo’ – nos afasta da Luz. Comportamentos
como raiva, vaidade, preguiça, julgamento, ódio e egoísmo também bloqueiam a conexão com o Criador. Por isso, a cabala nos ensina a ser proativos, e não reativos. Proativo é ser a causa, reativo é ser o efeito. Proativo é dar, reativo é receber. Proativo é assumir responsabilidade, reativo é se colocar no papel de vítima. Cada vez que transformamos a consciência egoísta e nos tornamos proativos, compartilhando com os outros, nos alinhamos com a Força da Luz do Criador e trazemos plenitude para nossas vidas.

O cabalista Rav Berg, maior responsável pela difusão desse conhecimento em nossa época, compara o uso da cabala com o que acontece quando acendemos a luz num quarto escuro. Assim que acionamos o interruptor, a escuridão logo desaparece. A escuridão simboliza o caos e os problemas que cada pessoa enfrenta na vida. O Zohar e a cabala são o interruptor que, quando acionado, traz sabedoria espiritual e iluminação para a existência. Acredite, o Criador quer nos dar tudo. Só temos que nos abrir para receber.”

Nascido no Rio de Janeiro em 1968, Shmuel Lemle é formado em engenharia de produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e estuda cabala desde 1995, quando iniciou seus estudos nos Estados Unidos. Desde o ano 2000, atua como professor dessa tradição no Brasil. Também oferece aconselhamento pessoal para indivíduos em posição de liderança, além de ser articulista de publicações, ampliando a divulgação dos ensinamentos cabalísticos no país. Traduziu diversos livros para o português, entre eles, O Poder da Cabala, O Caminho, Tornar-se como Deus e Deus Usa Batom. Mais informações: www.casadakabbalah.com.br



18/12/2017 - 09:00

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