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Arquiteto fala sobre obras arquitetônicas que podem promover conexão com ordem divina

Professor da USP fala sobre as obras arquitetônicas. Confira!

Renato Cymbalista, professor da Universidade de São Paulo – Reprodução
Para o arquiteto e urbanista Renato Cymbalista, professor da Universidade de São Paulo, a obra arquitetônica pode inspirar o silêncio, evocar a nossa essência e promover a conexão com uma ordem divina 

A missão do Templo de Salomão, na capital paulista, é despertar a fé adormecida e garantir acesso livre para aqueles que buscam Deus. A grandiosidade da construção é capaz de levar alguns até lá? 
Historicamente, os templos neopentecostais rejeitaram a monumentalidade, pois para essas denominações religiosas Deus não está no espaço e sim na comunidade reunida. O Templo de Salomão marca uma virada. Revela uma comunidade que está empenhada em atribuir valor simbólico e espiritual aos edifícios. Ainda não tive a oportunidade de visitar a obra, mas sei que foram trazidas pedras de Israel e oliveiras do Uruguai, buscando reproduzir o Monte das Oliveiras. A construção também trouxe problemas: o projeto foi aprovado com um alvará de reforma, mas tem quatro vezes a área construída da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no interior paulista. E o estacionamento para cerca de 2.200 veículos dá uma ideia do impacto no tráfego da região.
Há uma arquitetura que recupera a história, um Deus mais distante, e outra que se aproxima mais do minimalismo e de um Deus acessível? 
Há muitas formas de o homem se ligar à esfera religiosa-divina. Todas convivem no território das grandes cidades. Temos templos católicos enormes, galpões adaptados para servir como igrejas evangélicas, templos budistas perfeitos para a meditação e o intimismo, centros de candomblé que trazem referências das forças da natureza…
Nesse sentido, para que a disciplina Cidade, Espaço e Religião contribui?
Em 2013 introduzi e ministrei essa disciplina. Foi a primeira vez que a palavra religião entrou no currículo da faculdade de arquitetura da USP. Foi relevante para mostrar como as nossas cidades permanecem permeadas por aspectos sagrados. Muitas vezes, os arquitetos têm clientes religiosos, um trabalho para uma comunidade em que a Igreja estrutura o cotidiano, o restauro de uma capela… Levar em conta essa dimensão espiritual vai nos tornar melhores

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