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Troca de olhares – Shutterstock

Um olhar afetuoso ou sedutor é impactante, desperta sensações e é capaz de nos aproximar de outra pessoa. Essa forma de comunicação também é e ciente entre animais de estimação e seres humanos. Afinal, quem nunca sorriu ao encarar um cão ou gato? 

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Pesquisas recentes realizadas no Japão e publicadas pela importante revista Science em abril do ano passado apontam que o efeito do olhar entre uma pessoa e seu pet desperta uma reação física parecida com o que acontece entre mãe e lho. Isso porque nos dois casos ocorre a liberação do hormônio ocitocina, uma substância que atua como neurotransmissor com papel importante no reconhecimento e no estabelecimento de vínculos sociais – como a relação de confiança. É o que conta o psicanalista e veterinário homeopata Marcos Fernandes em seu livro Cara de Um, Focinho do Outro – A Interação entre os Animais e Seus Tutores (Butter y Editora, 192 páginas, R$ 29,90), onde discute essa estimulante conexão multiespécie. Segundo ele, acostumado a ouvir relatos emocionantes de tutores que sentiram alívio para depressão, pânico, ansiedade e falta de motivação intensificado pela convivência com os bichos, os animais, por meio de suas atitudes espontâneas, interferem em nossas fraquezas e inseguranças, renovando energias e melhorando a autoestima e a autoimagem. Ao estar frente a frente com um focinho, uma pessoa sente redução do estresse físico e mental e uma sensação de bem-estar geral. Há quem lembre do filme de animação Shrek como exemplo cômico do poder dessa troca de olhares: um dos personagens do longa é um Gato de Botas ardiloso que conquista a todos com seu doce pestanejar. Ao contrário da ficção, no entanto, não há na vida real outro interesse por parte do animal além de atenção, carinho – e comida.
Fernandes lembra que na história nunca existiu tamanha ligação afetiva e envolvimento emocional de humanos com animais como hoje. Embora humanizar o comportamento de pets não seja benéfico para nenhuma das partes, é fato que cão, gato, papagaio tornam-se membros da família, do mesmo grupo social, e compartilham de afinidades. Com isso, conseguem comunicar-se para além das palavras. É isso que sentem os tutores que, de tão conectados com o animal, relatam que “o cachorro só falta falar”. 
Foram os olhos de Zeca que zeram a empresária e protetora Andrea Giusti se apaixonar pelo vira-lata. “Sempre recebo muitos e-mails pedindo ajuda com resgates, mas, quando bati o olho nesse, quis conhecê-lo. Não estava procurando cão para adotar, mas, quando cheguei lá, ele veio correndo na minha direção como se me conhecesse”, conta ela, que comanda o site procurasecachorro.com.br. O endereço é dedicado a anunciar cães perdidos e, assim, promover o reencontro de muitos olhares.

JÚLIA REIS é jornalista, mora em São Paulo e cria dois gatos e dois cachorros. Todos vira- -latas e adotados. A Rogue é uma cadela preta e esfomeada; o Crisp, caramelo, come os móveis. O Tripel é um gatinho negro de três pernas que adora caixas de papelão; o Pilsen, amarelo, está sempre em cima ou dentro dos armários.