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A mudança que busca depende de você! Psicóloga explica que resultados são frutos das próprias escolhas

A psicóloga Fernanda Tochetto destaca que para se tornar responsável por si mesma, a pessoa necessita promover um autodiagnóstico de aspectos como bem-estar físico e mental, família, carreira e fé

Bons Fluidos Publicado segunda 11 outubro, 2021

A psicóloga Fernanda Tochetto destaca que para se tornar responsável por si mesma, a pessoa necessita promover um autodiagnóstico de aspectos como bem-estar físico e mental, família, carreira e fé
Psicóloga comentou a importâcia de entendermos que toda e qualquer mudança que queremos para nós, depende apenas de nós - Unsplash/ Charlotte Karlsen

A esmagadora maioria das pessoas deseja uma vida equilibrada e feliz, mas poucas alcançam este objetivo, por diversos fatores, e acabam se sentindo frustradas e culpadas.

De acordo com a psicóloga, especialista em carreira, Fernanda Tochetto, a razão pela qual as pessoas têm dificuldades em conquistar seus objetivos de vida reside na falta de propósito definido. “Grande parte das pessoas que me procuram tem problemas em reconhecer o próprio propósito e isso por si só já gera sentimentos ruins, como desânimo, baixa autoestima, acarretando dificuldade de estabelecer objetivos concretos para a mudança de vida”, explica.

Fernanda relata que, como mentora, já presenciou muitos alunos chegarem até ela com o desejo de mudar, mas confusos em relação ao que almejam de fato. “Por exemplo, externam o objetivo de terem sucesso profissional, mas acabam revelando que nem gostam tanto daquilo que fazem. Imagina o quanto é difícil para alguém admitir que a sua formação acadêmica, resultado de anos de estudo, não é de muita utilidade para o que realmente quer fazer em âmbito profissional”, pondera.

Autorresponsabilidade é a chave

O começo da transformação de vida de qualquer pessoa começa, segundo Fernanda, através da autorreflexão, ou seja, da tomada de consciência sobre sua situação de vida atual.

Para isso, a psicóloga - que desde criança sonhava que seu exemplo e suas palavras inspirassem pessoas reais a vencerem batalhas emocionais e tomarem as rédeas da própria vida – escreveu o livro “Destrave a sua vida e saia do rascunho”, publicação da Editora Gente. Na obra, Fernanda apresenta seu método de desenvolvimento pessoal e transformação de resultados profissionais.

O método é ilustrado por uma casa que, por sua vez, representa o eu em todos os seus pontos de conexão: consigo mesmo, com seus relacionamentos afetivos e com a carreira. A orientação de Fernanda é que aquele que pretende seguir o método deve começar pelo fim, ou seja, pelo lado de fora da casa. O objetivo, conforme a psicóloga, é que a pessoa consiga se enxergar de uma maneira imparcial, avaliando objetivamente suas capacidades e limitações, e assim comece a encontrar as ferramentas necessárias para mudar o que precisa em si mesma e alcançar o objetivo almejado.

Inicialmente, a pessoa deve perceber que a sua casa (identidade) é influenciada por todos que passam por ela, entram e saem diretamente dela, deixando marcas com palavras, gestos, experiências e vivências. “Todos esses movimentos criam símbolos e significados, que moldam pensamentos e ações, influindo nas escolhas, e nos relacionamentos afetivos e profissionais”, explica.

A partir dessa constatação a pessoa deve buscar praticar a autorresponsabilidade. “Isso significa que deve diminuir a expectativa que tem sobre as outras pessoas, reduzindo o número de histórias e justificativas que conta para explicar porque não alcançou o resultado que esperava”, diz a psicóloga. Segundo Fernanda, autorresponsabilizar-se é ter consciência de que os resultados são frutos de suas próprias escolhas.

Como praticar autorresponsabilidade

Praticar a autorresponsabilidade é também debruçar-se sobre a própria rotina, questionando-a em detalhes, para perceber com mais clareza se está levando a vida no piloto automático, tomando atitudes e realizando ações apenas por comodidade. “Olhando dessa forma a pessoa se torna capaz de dar os bastas necessários para transformar a rotina, e para enfim ir onde realmente deseja”, argumenta a psicóloga. Este passo pode ser caracterizado como um autodiagnóstico, segundo Fernanda.

O processo de olhar-se de fora da casa para entender-se melhor passa, de acordo com psicóloga, por duas perguntas essenciais que a pessoa deve fazer a si mesma. A primeira delas é “como acha que os outros veem você?”.

A intenção aqui é ajudá-la a tomar consciência do legado que está deixando e, principalmente, dar a chance de mudar essa imagem, caso não seja a esperada”, explica. A segunda questão é “se hoje fosse seu último dia de vida quais pendências teria para resolver?”. “Alguém só pode começar a transformar a sua vida e dar início a um verdadeiro desenvolvimento quando liquida essas pendências, sejam de ordem emocional, sejam de ordem material”, comenta.

Respondidos os questionamentos, continua-se o autodiagnóstico a fim de ativar a autorresponsabilidade essencial para promover as mudanças e obter os resultados almejados. Nesse sentido, a pessoa deve investigar como estão: sua saúde física e sua saúde emocional; seus relacionamentos afetivos (com familiares e amigos); sua carreira e dinheiro; e sua fé.

A psicóloga explica que estar bem física e mentalmente é importante, porque é preciso ter energia para dar conta das transformações necessárias para a conquista dos objetivos. Para isso, é preciso tomar cuidado com rotinas e hábitos. “A disposição, a autoestima e a autoconfiança estão diretamente ligadas aos hábitos diários. Assim, é preciso refletir quanto às suas atitudes e responsabilidade para com os princípios básicos de sobrevivência, como: ingestão de água, boa alimentação, quantidade adequada de sono e prática de exercícios físicos diários”, diz.

Sobre as emoções, a psicóloga afirma que é preciso praticar o autoconhecimento para identificá-las e equilibrá-las. “A proposta é convidar a pessoa a descobrir as principais emoções que estão a guiá-la mostrando como driblar aquelas que funcionam como travas (medos)”, explica.

Segundo Fernanda, quando o subconsciente é despertado através dessa autorreflexão, a pessoa consegue reconhecer a procedência de seus medos, compreender melhor suas necessidades e ativar sua autorresponsabilidade, para destravar seus bloqueios emocionais e promover as mudanças para um vida mais equilibrada e feliz.

No processo de avaliação dos relacionamentos afetivos, o importante é perceber quem são as pessoas com quem se convive e como cada uma influencia sua vida. “Nesse sentido, questione-se como estão suas amizades, seu casamento ou relacionamento amoroso e se está se sentindo valorizado por seus amigos e parceiros”, sugere a psicóloga. Fernanda recomenda também que a pessoa avalie quanto tempo passa com a família e a qualidade do tempo que dedica a ela. “Por fim, empenhe-se em realizar as mudanças possíveis”, diz.

Conforme Fernanda, quando o assunto é carreira, a pessoa necessita estar conectada com o que deseja ser. “Pensar na carreira é se propor a aprender todos os dias, desafiar-se, ter vontade de inovar, crescer e fazer diferente; é sentir-se realizado”, destaca. A psicóloga destaca ainda a importância de a pessoa estar segura do que faz para transmitir a imagem de profissional competente. “Essa imagem contribui para gerar um ciclo virtuoso”, afirma.

A relação com o dinheiro precisa ser diagnosticada, segundo Fernanda, através da compreensão de que grande parte de nossas atitudes e comportamentos associados a dinheiro estão baseados em “verdades” que alimentamos desde a infância. “Por isso é fundamental colocar uma lupa sobre cada uma das crenças que você ouviu de seus pais, da sua família em relação a dinheiro e a riqueza”, indica. De acordo com a psicóloga, a conexão com o dinheiro deve ser a mais saudável possível. “Ele deve ser visto como motivo de orgulho; algo cuja serventia é trazer estabilidade e segurança”, destaca.

Por sua vez, conforme Fernanda, a fé deve ser vista como um aspecto de suma importância para que a pessoa tenha paz para realizar suas ações em busca de seus objetivos. “Ela gera a consciência de que não se está sozinho ante desafios, angústias e incertezas”, afirma. A psicóloga explica que ter fé vai além de ser religioso. “A fé pode acontecer e ser praticada de diferentes formas, e isso depende de cada pessoa. Descubra qual é a sua fé, no que acredita. Ao descobrir, invista nisso”, recomenda.

Fernanda reitera que os objetivos dessas reflexões é colocar luz em questões da vida que parecem simples, dadas, mas que na verdade escondem informações relevantes para o autoconhecimento e para a evolução pessoal e profissional. E, segundo a psicóloga, ao tomar ciência desses obstáculos e limitações, não se pode ter medo de encará-los, sob pena de adentar a um ciclo de autopiedade. “É preciso erguer a bandeira do enfrentamento, ter coragem de pagar o preço e fazer a mudança que se quer”, conclui.

Último acesso: 29 Nov 2021 - 09:58:12 (1045837).