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Precisamos falar sobre suicídio na adolescência, alerta neuropsicóloga

A campanha Setembro Amarelo apresenta iniciativas de prevenção ao suicídio. Nesse sentido, neuropsicóloga mostra como evitar que atitudes drásticas levem adolescentes a atentar contra a própria vida

BONS FLUIDOS Publicado segunda 6 setembro, 2021

A campanha Setembro Amarelo apresenta iniciativas de prevenção ao suicídio. Nesse sentido, neuropsicóloga mostra como evitar que atitudes drásticas levem adolescentes a atentar contra a própria vida
Setembro amarelo: mês da valorização da vida - Freepik

“É um tema de impacto, delicado para ser tratado de qualquer maneira, mas é necessário. Falar em suicídio na adolescência vai ajudar a quebrar tabus, e, principalmente, ajudar a compreender o que leva isso a acontecer e como evitar que famílias sejam destruídas por conta disso”. Essa é a visão da neuropsicóloga Leninha Wagner sobre os casos de jovens que atentam contra a própria vida.

Situações como essa devem ser tratadas continuamente, mas ganham um foco especial neste mês, quando a campanha Setembro Amarelo reforça as orientações de prevenção ao suicídio. Para Leninha, “a ameaça ou atitude suicida é uma tentativa de comunicação, quase como um pedido de socorro. Daí é importante compreender e escutar os jovens para que uma situação que eles estejam passando não termine com essa atitude drástica”.

De início, ela observa que, estatisticamente, a morte por suicídio é mais comum no final do que no início da adolescência. “Nesta fase da vida, muitos são os conflitos enfrentados por ser uma idade emocional, época da vida humana em que o comportamento se acha frequentemente sujeito a frustrações, conflitos, desajustes que perturbam a conduta e a experiência do indivíduo”. Soma-se a isso “a preocupação excessiva, ideação e comportamento suicida, que podem fazer parte de um quadro de depressão neurótica ou psicótica ou de qualquer psicose ou neurose, ou ainda apresentarem mecanismo histérico de chamada de atenção, é portanto, um grito de quem pede socorro. Devemos então entender e atender esse chamado”.

Situações como essa podem ser a expressão mais genuína de uma depressão maior, alerta Leninha. “O que é o nível mais grave deste transtorno. A tensão interior é no adolescente tanto mais forte quanto mais deseja um maior domínio de si próprio, alimentada por múltiplas causas de conflito que pode levar a morte por suicídio”. No entanto, a pessoa procura dominar as suas emoções de maneira tão rigorosa, que só se desequilibra ainda mais emocionalmente. “Algumas empregam todas as forças para adquirir esse domínio delas próprias, com a intenção de não deixar que os outros percebam o que se passa dentro delas. Um mundo interior conturbado de pensamentos de incertezas, emoções negativas, sentimentos nebulosos”, acrescenta. “Pouco a pouco os conteúdos internos vão se acumulando de forma tão intensa, que em algum momento haverá a explosão de medo, de raiva ou de euforia desmedida, para em seguida uma onda de humor depressivo tomar a pessoa por completo”, observa.

Para as famílias, um sinal que deve ser observado é perceptível no comportamento desses adolescentes: “Uma tensão prolongada conduz a um estado permanente de mau humor, a um embotamento afetivo que extingue aos poucos todo o interesse pelo mundo exterior. Quanto mais fortes são as tentativas de domínio sobre si, mais acentuadas são as atitudes precedentes e o estado de depressão pode conduzir o adolescente a atentar contra sua própria vida”. Leninha lembra que a causa real de suicídios devem frequentemente ser procurada nesta “tensão emotiva” interior, que se torna insuportável e para a qual a pessoa envolvida não enxerga a solução. “Investigando casos, podemos citar algumas possíveis causas: Baixo desempenho escolar, sistema familiar disfuncional, sutoritarismo ao invés de ‘autoridade’ por parte dos genitores, obstáculos na satisfação dia desejos pessoais, reprovação social, bullying, falta de pertença, sentimento de insuficiência ou incompetência, mudança, rompimento de relações (amizade, namoro), e conflitos e indecisões quanto à orientação sexual”.

Mas qual é a saída para todos esses conflitos?

Segundo a neuropsicóloga, o ideal é procurar ajuda profissional especializada. Acompanhamento psicoterápico e/ou tratamento psiquiátrico dão sempre excelentes resultados. Um profissional da saúde mental poderá ser a resposta para esses conflitos. Aliás, a prevenção é sempre menos onerosa, mais inteligente e eficaz que a correção. E é claro, muita atenção aos jovens: “O adolescente é sempre muito vulnerável à depressão, que sem sombra de dúvida é um dos maiores gatilhos na ideação suicida. Ligue 188, afinal toda vida importa!”, finaliza.

Último acesso: 26 Oct 2021 - 17:44:25 (1045670).