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Expressões da nossa gente

Manifestações da cultura popular de norte a sul do país brindam o Masp com o sumo da alma brasileira

Marco da paisagem paulistana e da arquitetura moderna, o Museu de Arte de São Paulo (Masp), localizado na Avenida Paulista, abriu suas portas em abril de 1969. Na ocasião, o público foi convidado a visitar uma exposição que homenageava a cultura popular do nosso país. Batizada de A Mão do Povo Brasileiro, a mostra está de volta com o mesmo nome, acrescido da cronologia 1969/2016, e será exibida até 29 de janeiro de 2017. Por trás dessa montagem estava a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992), que anos antes havia projetado o edifício icônico. A artista queria colocar a arte popular no mesmo patamar das criações consagradas pelos museus. Por isso, bem perto de obras-primas assinadas por Van Gogh, Picasso e Cézanne, reuniu toda a sorte de objetos confeccionados de norte a sul: carrancas, ex-votos, santos, tecidos, peças de vestuário, mobiliário, ferramentas, utensílios de cozinha, instrumentos musicais, adornos, brinquedos, fi guras religiosas, além de pinturas e esculturas. “Ela entendia que objetos de arte e objetos utilitários eram igualmente frutos do trabalho do homem, ambos dignos de atenção e valor”, contextualiza Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp e um dos curadores da exposição, que abarca mil peças, sendo que apenas 55 integraram a montagem original, como São Jorge Articulado, Bom Jesus de Iguape, Senhor Morto (Cristo Articulado) e Nossa Senhora das Dores de vestir. Entre os itens inéditos, destacam-se recipientes de cerâmica, moendas, cestos de palha, joias de escrava, adereços indígenas, ferramentas de orixás, colheres de pau, bonecas de pano. E ainda prensas, cadeiras, arcas, boi de bumba-meu-boi, alambique, máscaras de Carnaval, matrizes de xilogravura e colchas de retalhos. Todos provenientes de instituições espalhadas pelo Brasil e dispostos em conjuntos análogos. Diante dessa miríade de cores, formas e simbolismos, as belezas da terra ganham a merecida dimensão. Enobrecem a vida miúda de cada dia, bem como a alma do nosso povo. 
A MÃO DO POVO BRASILEIRO, 1969/2016 
Até 29 de janeiro de 2017 | Ingressos: R$ 25 (entrada); R$ 12 (meia-entrada) 
Entrada gratuita às terças-feiras. masp.org.br

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