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Malhação e memória: a prática de exercícios físicos pode melhorar, e muito, seu desempenho intelectual

Na coluna desta semana, Jamar Tejada falou sobre os benefícios da prática de exercícios físicos, que vai muito além da perda de gordura e ganho muscular

JAMAR TEJADA Publicado quarta 28 julho, 2021

Na coluna desta semana, Jamar Tejada falou sobre os benefícios da prática de exercícios físicos, que vai muito além da perda de gordura e ganho muscular
Entenda a importância da atividade física para o desempenho da mente - Unsplash/ Jonathan Borba

Eu nunca fui apaixonado por exercícios físicos, mas há alguns anos eles começaram a fazer parte da minha rotina, a ponto de que no dia que não me exercito parece que estou fazendo algo errado, que está faltando alguma coisa. Mais do que meu corpo, minha cabeça pede!

Você já percebeu que quando se exercita você começa a desenvolver muito mais sua atenção e raciocínio? Não se trata de achismo, são evidências científicas que demonstram que a prática regular de exercícios físicos também está associada a uma melhora da função cerebral e em efeitos benéficos sobre a cognição, além de atenuar a queda da cognição associada ao envelhecimento e contribuir para a prevenção de doenças neurodegenerativas.

Malhe e fique esperto!

Todos os movimentos que realizamos naturalmente no dia a dia são considerados atividades físicas, até mesmo o “pensar” não deixa de ser uma atividade física, você está queimando calorias.

A leitura, por exemplo, não deve ser mais do que um exercício para nos obrigar a pensar! Os exercícios físicos, por sua vez, podem ser definidos como atividades físicas realizadas durante um determinado tempo e com objetivos específicos, seja para manter a saúde, ou com fins estéticos ou apenas para lazer e recreação.

Além do aumento da taxa metabólica e do gasto energético, os exercícios físicos também proporcionam maior aptidão física ao organismo melhorando a estrutura muscular, a flexibilidade e o equilíbrio.

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Os exercícios físicos podem ser classificados como aeróbicos, que são aqueles de duração prolongada e intensidade baixa a moderada, como caminhadas, corridas e pedaladas ou anaeróbicos, que são aqueles de curta duração e alta intensidade incluindo exercícios de velocidade, força e resistência com ou sem peso, como natação, saltos, arremessos e musculação, nos quais a produção de energia nos músculos independe do uso do oxigênio de acordo com a fonte energética utilizada pelo organismo durante a sua realização, o que está diretamente relacionado à natureza, intensidade e duração do exercício.

Durante exercícios físicos aeróbicos o oxigênio inalado através da respiração é utilizado pelo organismo para a produção de energia, principalmente a partir da quebra de moléculas de glicose e gordura, o que chamamos de gasto energético. Já os exercícios físicos aeróbicos estão mais associados à melhora da capacidade cardiorrespiratória. 

Os exercícios físicos anaeróbicos envolvem um esforço intenso e localizado em alguns músculos, resultando em aumento do tônus, resistência e desempenho muscular. Eu mesmo, não curto os exercícios do tipo aeróbicos, mas tudo é adaptação!

Estamos carecas de saber que a prática regular de exercícios físicos além de auxiliar no gerenciamento do peso corporal, diminui o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e proporciona uma sensação de bem-estar físico e mental e, nos últimos anos tem sido demonstrado que a prática também exerce um impacto positivo sobre a função cognitiva e melhora o processamento e armazenamento de memórias.

Estes efeitos, por sua vez, parecem estar associados à melhora da circulação sanguínea e da oxigenação em regiões cerebrais importantes para a manutenção de memórias como o hipocampo, bem como a ativação de diferentes vias de neurotransmissão e neuromodulação. Como consequência, é observado um aumento do número (neurogênese) e da função das células (plasticidade sináptica) do sistema nervoso central.

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Você pensa que para ter resultados na memória precisa malhar todos os dias?

Estudos têm demonstrado que mesmo uma única sessão de exercício físico aeróbico de intensidade moderada já é capaz de exercer efeitos benéficos no armazenamento de memórias. Um estudo clínico conduzido recentemente com 72 indivíduos (homens e mulheres, com idade entre 18 e 28 anos) demonstrou que pedalar em uma bicicleta ergométrica por cerca de meia hora pode melhorar a retenção e a recuperação de uma memória associativa por pelo menos 48 horas. Vai ver que é por isso que vejo tanta gente lendo enquanto usa a ergométrica! Bora pedalar?

Olha que bacana! Nesse estudo os participantes receberam a tarefa de associar imagens de locais a endereços, depois de 40 minutos observando e memorizando as associações de imagem e localização, eles foram divididos aleatoriamente em três grupos: um grupo pedalou em uma bicicleta ergométrica durante 35 minutos imediatamente após a tarefa (a uma intensidade de até 80% de sua frequência cardíaca máxima), outro grupo realizou este mesmo exercício quatro horas depois da tarefa, enquanto que o terceiro grupo não fez nenhum exercício físico.

Quarenta e oito horas mais tarde, estes voluntários retornaram ao laboratório e foram submetidos a um teste no qual tinham que apontar a imagem correspondente a cada endereço, com a finalidade de avaliar a retenção das informações previamente aprendidas (ou seja, a formação destas memórias). 

Durante o teste, os indivíduos que haviam se exercitado quatro horas após a tarefa de memorização apresentaram uma taxa de acerto significativamente maior das associações entre imagens e endereços. Além disso, também foi observado que, ao responder cada pergunta corretamente, estes indivíduos também apresentavam uma maior ativação do hipocampo, região cerebral importante para a aprendizagem e a formação de memórias associativas.

Ainda, embora não tenham sido mensurados os níveis plasmáticos e cerebrais de neurotransmissores ou outras substâncias relacionadas à plasticidade sináptica, os cientistas acreditam que a atividade aeróbica promova a síntese e liberação destas substâncias químicas no organismo, contribuindo para a formação de memórias.

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Entretanto, mais estudos precisam ser realizados para investigar a janela temporal exata durante a prática de exercícios físicos, e qual é eficaz em promover a melhora na retenção de memórias – já que os indivíduos que realizaram o exercício físico imediatamente após a sessão de memorização não apresentaram os mesmos benefícios. Adicionalmente, é preciso investigar a influência do sono no armazenamento desta memória, uma vez que a sessão de teste foi realizada 48 horas mais tarde, e não no mesmo dia em que o exercício físico foi realizado.

Está aí mais uma comprovação de que a prática física vai bem além da perda de gordura e ganho muscular, podemos, aliás, devemos, nos exercitar como uma estratégia para otimizar o aprendizado bem como para diminuir o prejuízo cognitivo nas doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer, assim como estímulo ao antienvelhecimento cerebral!

Vale lembrar que a melhor maneira de iniciar a prática de um exercício físico e torná-lo um hábito, escolher aquele que mais se adapta ao seu ritmo e acima de tudo ao seu gosto. Se o vigor físico é bom, o vigor intelectual melhor ainda e se podemos ter os dois juntos numa simples caminhada, tá fazendo o que sentado aí lendo esse artigo? O estudo completo pode ser acessado através deste link.

JAMAR TEJADA


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Último acesso: 20 Oct 2021 - 14:33:12 (1045437).