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As palavras sob controle

Mercúrio e Saturno em conjunção no signo de Sagitário criam o conflito. Você decide se vai inflá-lo ou transcendê-lo

Oscar Quiroga – Claus Lehmann
Há um clima de desavença no céu. Mercúrio, planeta da comunicação, se associa a Saturno, que é todo retorcido e cheio de raciocínios intrincados, e o resultado dessa
aliança é um incentivo à fala descompromissada, capaz, por vezes, de sujar a reputação de alguém. Por isso o período merece reflexão, especialmente nos comentários
publicados nas redes sociais, onde, ao abrigo do anonimato, as pessoas opinam e julgam sobre assuntos e indivíduos que desconhecem e revelam estar de prontidão para conclusões precipitadas, anulando de uma teclada só a razoável “presunção de inocência”.
A entrada do Sol em Sagitário aprofunda ainda mais essa tendência ao diz- -que-diz-que infundado, já que esse é o signo em que se produz o somatório de tudo que nossa humanidade pensa, e o resultado disso é um barulho ensurdecedor. A grande lição de Sagitário é aprender a restringir a fala e ficar em silêncio. Esse fato é relatado em um dos 12 trabalhos de Hércules, quando o guerreiro erradicou as aves do lago Estínfale, que grasnavam tão alto que as pessoas dessa região não conseguiam mais se comunicar. No princípio, Hércules tentou matá-las a fechadas, mas eram tantas que isso se mostrou inútil. Então ele fez soar dois pratos de ouro que tinha recebido de Apolo, os quais produziram um som tão alto e elegante que as aves caíram todas mortas de uma vez só. 
A metáfora apresentada por esse trabalho hercúleo indica que, enquanto tentamos, por exemplo, combater comentários néscios nas redes sociais atiçando ainda mais conflitos, nada esclarecemos. Só quando paramos de transbordar o fel do ódio alcançamos sucesso. O ressoar dos pratos de Apolo simboliza que só conseguimos superar e anular esse barulho mental ensurdecedor, comunicado em nossa modernidade pela publicação de comentários maldosos e fofoqueiros, treinando nossa mente para
alçar pensamentos mais elevados, libertos de dogmas e julgamentos, e vinculados a uma unidade espiritual maior trazida pelo Sol (Apolo), que a todos compreende e
aceita em seu Sistema. Aí, então, silenciamos nossa mente e calamos as maledicências, porque simplesmente deixamos de lhes prestar atenção, estando concentrados em outros assuntos.
Nos dias que se seguem, portanto, tanto pela mão da conjunção de Mercúrio e Saturno quanto pelo ingresso do Sol em Sagitário temos as duas oportunidades de experimentação: a de sermos afetados pelas ondas revoltantes de comentários, fofocas e julgamentos cruéis, tentados inclusive a participar deles, insuflando-os
mais, ou, ao contrário, por própria iniciativa e decisão, agirmos como o arqueiro que representa Sagitário, apontando as flechas de nossos pensamentos para uma direção
mais elevada. O exercício dessa integridade, como tudo o mais que determina a evolução em nossa humanidade, não acontece automaticamente, precisa ser sustentado
com força de vontade.

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