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André Villas-Bôas é protetor dos índios e das matas. Conheça!

Saiba a história do secretário-executivo do Instituto Socioambiental (ISA)

André Villas-Bôas – Claudio Tavares/ ISA

Por dez anos, entre as décadas de 1970 e 1980, André Villas-Bôas, então funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), viveu em povoados indígenas na Amazônia. Hoje é secretário-executivo do Instituto Socioambiental (ISA), fundado em 1994 por um grupo de ativistas, com sede em São Paulo. 

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André, que nasceu em Salvador e se criou em São Paulo, não aceita o fato de que comunidades detentoras de um inestimável patrimônio cultural e grandes protetoras das florestas não só sejam marginalizadas, como, ainda mais grave, sofram ameaças de serem aniquiladas ou desalojadas de suas terras de origem. Por isso, reúne apoiadores de todas as frentes – empresas, governos, instituições – a fim de interferir positivamente nas políticas públicas. Investe na pesquisa, difusão e documentação de informações indispensáveis ao sucesso da causa. “As populações urbanas estão desconectadas da realidade do interior do país, bem como das origens dos recursos que consome. É um grande desafio  mobilizá-las”, reconhece. Seu empenho em proteger as terras dos índios na Amazônia e a própria cultura desse povo, serviu como um alerta para a ação devastadora do agronegócio, especialmente das plantações de soja, que nas últimas décadas avançaram na região. 
Segundo o ativista, o item mais urgente na pauta ambiental é evitar que o país retroceda nas conquistas firmadas pela constituição de 1988. “Temos uma bancada no congresso extremamente conservadora em relação aos direitos socioambientais. Vários deles estão sendo ameaçados”, alerta. Como exemplo, ele cita o Código Florestal, legislação ambiental criada em 1965 com o objetivo de definir quais áreas devem ter a vegetação conservada e quais podem ser usadas para a agricultura. O problema é que as leis em vigor desde 2012 afrouxaram a responsabilidade dos proprietários em relação à preservação das fl restas, ou seja, as áreas de preservação obrigatória foram reduzidas. Com isso, a natureza ficou ainda mais vulnerável aos interesses econômicos. O horizonte, a seu ver, é cinza. É aí que a luta requer ainda mais lucidez.