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Eles podem mudar o mundo: saúde

Ativista há mais de 30 anos, Richard perdeu muitas pessoas que ama por conta da doença. Conheça sua história

Richard Parker – Vagner de Almeida/Divulgação

O americano Richard Parker, que vive parte do ano em Nova York, onde atua como professor titular de Saúde Pública e Antropologia da Universidade de Columbia, e outra parte no Rio de Janeiro, tem muitos motivos para combater o avanço da aids. Por ser homossexual e ter perdido muitas pessoas que amava para a doença, sentiu de perto a dor e o sofrimento e não conseguiu se omitir. 

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Parker preside a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), criada em 1987, desde o falecimento de seu fundador, o sociólogo Betinho, em 1997. Há quase três décadas, a entidade vem mobilizando e aglutinando governos, instituições, empresas, pesquisadores e voluntários. “Conseguimos criar um espaço de debate público onde tem sido possível buscar novos entendimentos e, pelo menos de vez em quando, construir parcerias e avanços”, sublinha. As ações resultantes desta sinergia enfocam campanhas de prevenção, de testagem voluntária antecedida e precedida por aconselhamento – crucial para evitar futuros contágios e, sobretudo, permitir que o soropositivo inicie o tratamento o mais cedo possível. Graças a uma parceria com o UNITAID, iniciativa de financiamento global de saúde administrada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Abia terá recursos para combater a propriedade intelectual direcionada aos antirretrovirais – drogas que impedem a proliferação do vírus no organismo – de segunda e terceira linhas de HIV, necessários para quem desenvolveu resistência aos medicamentos de primeira linha (únicos com quebra de patente até agora). 
Parker já enfrentou diferentes desafios. Nos anos 1980, a urgência era cuidar das pessoas infectadas pelo HIV. Depois, o alvo passou a ser o combate das desigualdades de gênero, raça e etnia, classe socioeconômica e idades, fatores ligados à expansão da infecção. Contudo, ainda há um mal maior fora de controle: a discriminação. “O estigma é a coisa mais cruel, a forma mais indecente de violência simbólica para se poder debelar a epidemia”, diagnostica. Daí, segundo Parker, os direitos humanos continuarem o ponto de partida para qualquer resposta digna frente à questão da aids.