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Eles podem mudar o mundo: economia

Conheça a história do ativista há 37 anos que morou por um ano no lixão

Joaquim de Melo – Divulgação

Perto de ser ordenado padre, Joaquim de Melo, recifense radicado em Fortaleza, morou por um ano num lixão na capital do Ceará. Foi ali que ele decidiu ajudar comunidades empobrecidas a sair da degradação e melhorar a qualidade de vida. Cancelou a carreira religiosa e mudou-se para o Conjunto Palmeiras, grande favela a 2 quilômetros do lixão. Era 1984. “Durante 20 anos ajudei nos mutirões comunitários para construir o bairro”, conta. Porém, a pobreza persistia. Assim como a vontade de erradicá-la.

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Melo constatou que os moradores compravam os produtos para sua subsistência fora do bairro – o pouco que ganhavam escapulia para longe e a vida continuava dura. Era preciso que a população fosse capaz de produzir e comprar localmente. Com esse intento nascia, em 1998, o Banco Palmas. O modelo de economia solidária funciona assim: a entidade empresta dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e repassa de R$ 50 a R$ 15 mil aos moradores do bairro, que só precisam provar que têm condições de pagar o montante solicitado. Muitas vezes, R$ 100 é sufi ciente. Maria Aurineide, 40, casada, mãe de dois fi lhos, fez um empréstimo de R$ 300 em 1998. Pagou em dia. Seis meses depois, pegou R$ 600 e passou a vender roupas em sua própria casa. Depois, emprestou R$ 5 mil e montou um mercadinho. Os quatro últimos empréstimos (de R$ 15 mil) foram para organizar seu depósito de construção. De vendedora de rua ela é hoje uma empresária da construção. 
Os números mostram que o empreendedorismo suplantou a miséria. “O comércio local cresceu 30% e foram gerados 2 300 postos de trabalho”, acrescenta Melo, que também ajudou a criar a Rede Brasileira de Bancos Comunitários. “Ser ativista é não aceitar a injustiça social, arregaçar as mangas e seguir construindo a sociedade que sonhamos, bairro a bairro, município a município”, define ele, que destaca a importância das ideias e dos esforços coletivos. “É muito mais viável economicamente sermos solidários do que competitivos”, defende. O próximo desafio é implementar o Banco da Periferia, um complexo de 40 bancos comunitários espalhados pela periferia de Fortaleza, onde 1 milhão de pessoas vivem arduamente.