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Saiba quem é Ana Valéria Araújo, a ativista que abraçou a causa indígena em fóruns internacionais

Defensora dos direitos humanos, Ana Valéria Araújo, 51 anos, é ativista há 28 anos

Ana Valéria Araújo – Divulgação
Desde a época do vestibular, Ana Valéria Araújo, natural de Brasília e radicada na capital paulista, sabia que usaria o Direito para fazer mudanças sociais. Recém-formada, mudou-se para Washington, nos Estados Unidos, onde abraçou a causa indígena em fóruns internacionais como a Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Na época, o território dos Yanomami havia sido invadido pelo garimpo. De volta ao Brasil, atuou pela mesma bandeira e, nos últimos nove anos, coordena o Fundo Brasil de Direitos Humanos, em São Paulo. 
Criada em 2005, a entidade combate a discriminação e a violência institucional, amplo espectro que engloba ações pelos direitos das mulheres, das crianças e dos adolescentes e contra a violência policial, o racismo, a discriminação religiosa e o trabalho escravo. O grupo ainda advoga a favor da liberdade de orientação sexual e do direito à terra. Tarefa heroica. Mas não impossível. “Apoiamos projetos de organizações que estão fazendo coisas interessantes nessas áreas, como a Comissão Pastoral da Terra, no Alto Xingu (PA), que combate o tráfico de pessoas por meio de debates e denúncias às autoridades, e o Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, movimento que, entre outras questões, lança luzes sobre a militarização das favelas a partir da instalação de Unidades de Polícia Pacifi cadora (UPPs) e as violações de direitos de jovens negros”, afirma ela, que diz encontrar motivação de sobra para acordar todos os dias e salvaguardar causas tão urgentes. 
O Fundo já injetou cerca de R$ 8 milhões de reais captados junto a indivíduos, empresas e instituições do poder público, em 300 projetos transformadores encabeçados por organizações da sociedade civil. Uma vitória festejada, mas que não desvia a atenção do que ainda precisa ser sanado. “Temos de mudar a maneira como pensamos e tratamos as mulheres, os negros e a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Temas que são objeto dos maiores índices de violência registrados ultimamente”, desabafa. “Felizmente, há uma onda de engajamento na sociedade que há muito não se via. Todos que veem no dia a dia violações de direitos e desigualdades com as quais não concorda e quer fazer algo para além da indignação é um ativista em potencial.”

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