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Positividade tóxica: o desafio de lidar com a constante repressão do sofrimento

Na coluna desta semana, Marina Repetto pontuou que "uma das chaves do autoconhecimento é a aceitação das suas fraquezas e imperfeições"

MARINA REPETTO Publicado sexta 23 julho, 2021

Na coluna desta semana, Marina Repetto pontuou que
"Uma das chaves do autoconhecimento é a aceitação das suas fraquezas e imperfeições" - Marina Repetto - Freepik/ wayhomestudio

Você já passou por alguma situação difícil e acabou ouvindo do outro: “Pense pelo lado positivo” ou “Poderia ser ainda pior”? Tudo isso e nenhuma palavra de apoio. Em situações adversas, precisamos de carinho e palavras reconfortantes, não apenas frases prontas de como ser mais feliz diante de todas as barreiras.

Acreditar ser possível estar sempre alegre com toda a situação da pandemia é, no mínimo, irreal. Além disso, também temos os nossos próprios conflitos internos. Mas, o lema que prega o otimismo em todas as situações como forma de enfrentar adversidades também pode trazer graves consequências à nossa vida. Não podemos pensar que a negação da tristeza e de outras emoções consideradas negativas será um sinônimo de felicidade plena.

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Quando acreditamos nessas afirmações de positividade contínua e que a felicidade é uma obrigação, passamos a deixar de lado outras emoções tão importantes como ela. Nós precisamos sentir medo, raiva ou tristeza, emoções que, apesar de desconfortáveis, fazem parte de nós. O nosso dever é saber trabalhar esses sentimentos e buscar uma evolução a partir deles. Não vamos estar felizes o tempo todo, e esse entendimento muda tudo. É normal alguns dias estarmos de saco cheio e mau-humor, mas isso não te faz uma pessoa pior

Pode até parecer clichê, mas todas as emoções que reprimimos são somatizadas, expressas através do corpo, muitas vezes na forma de doença. A vida é um grande ciclo e a frase "Nada se perde, tudo se transforma" é exatamente o que acontece com os sentimentos negativos. Quando negamos uma emoção, ela encontrará uma forma alternativa de se expressar.

Então, não adianta fingir que está bem. Seja para você mesmo ou para as pessoas que estão ao seu redor. O melhor jeito de lidar com as frustrações, a raiva e todas as outras emoções que geram desconforto é senti-las de verdade. Claro que cada um sente do seu jeito no coração, mas todos precisam sentir.

Só é possível mudar aquilo que interiormente aceitamos. É por isso que a ressignificação é tão importante. As dificuldades que enfrentamos não definem quem somos, mas nos convidam a mudar a nossa percepção do mundo. Para isso, é necessário usar os nossos desafios ao nosso favor, transformando o sofrimento em entendimento. Todas as situações trazem uma grande oportunidade de expansão e conspiram para que haja um profundo despertar dentro de cada um.

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Eu mesma trabalho com as redes sociais e sou um canal para auxiliar outras pessoas na busca pelo autoconhecimento. Gosto de mostrar a vida real e a certeza de que viver em paz não significa não ter conflitos. O que muda é a maneira como lidamos com eles.

Muita gente pergunta se eu fico brava... É aí vejo que precisamos urgentemente quebrar esses paradigmas.

Não quero criar uma ilusão e uma busca por uma vida perfeita. Falo constantemente que as provações fazem parte da vida e que quanto mais consciente nos tornamos, melhores lidamos com o sofrimento, mas a verdade é que ninguém passa ileso, em um grande oceano todos enfrentamos muitas ondas.

Ao mesmo tempo, a internet é um local que propicia acreditarmos que a vida perfeita existe e essa vida é sempre a do outro. Fazemos comparações e nos frustramos, mas esquecemos que comparamos os nossos bastidores com o palco das outras pessoas. Cada um só mostra o que quer e é preciso discernimento para compreendermos que além do que vemos existem muitas coisas que não sabemos nada a respeito.

Não sabemos o que passa do lado de dentro de alguém, às vezes, nem nós mesmos sabemos o que acontece internamente conosco. O que sabemos é que ao ignorar esses sentimentos, passamos a ter dificuldade de acessá-los, até o ponto que eles se tornam grandes bloqueios para a compreensão dos fatos. Muitas vezes escondemos nossa dor de nós mesmos para não precisar lidar com ela, mas esquecemos que tudo que é reprimido será distorcido. Por mais difícil que seja a realidade, a única maneira saudável de encará-la é aceitá-la do jeito que ela é.

Uma das chaves do autoconhecimento é a aceitação das suas fraquezas e imperfeições. São por elas que a luz pode entrar.

A positividade saudável está em criar uma nova percepção da realidade, através da conexão com o momento presente. Precisamos aprender a olhar as coisas como são e não como nós somos. Essa transparência fará com que entendamos que estamos onde precisamos estar em cada momento. Nossos sentimentos nos trazem uma mensagem e a cada vez que acolhemos, aprendemos com ele.

O meu convite é para que você se permita sentir e lembre-se que o que existe no seu coração nunca está errado!


Muito tem se falado sobre a importância do autoconhecimento... Mas como chegamos a ele? A essa resposta que Marina Repetto, nutricionista (do corpo e da alma) e especialista em Ho'oponopono, nos guiará em sua mais nova coluna aqui na Bons Fluidos Digital todas as sextas-feiras, às 12h.

 

Último acesso: 26 Oct 2021 - 17:36:23 (1045407).